
Haroldo Maranhão faz parte de um seleto grupo de intelectuais que tiveram e têm com a Amazônia uma relação que não se vincula ao lugar comum da literatura regional. Juntamente com José Veríssimo, Benedito Nunes, Mário Faustino, Eidorfe Moreira, Dalcídio Jurandir, Rui Barata, Max Martins, Benedito Monteiro, Lúcio Flávio Pinto e outros, conseguiu se diferenciar do coro uníssono que imagina valorizar e promover a região retratando seus aspectos sob um único ângulo.
Diferentemente desses coristas, Veríssimo e os demais têm em comum a universalidade na forma e no trato dos seus temas. Coisa não muito apreciada por essas plagas, em que ser regionalista parece ser o passaporte para a qualidade. O regional existe neles como substrato temático. Utilizam-no de acordo com a linguagem adotada, ultrapassando os antolhos de uma literatura (literatura em geral, não apenas a ficcional) que se repete por adotar as mesmas fórmulas. Conseguem se referir à região sem reduzi-la, englobando-a em conjunto com outros temas, identificando os problemas, as mudanças, variando e multiplicando as possibilidades de leitura. Não existe ligação inextricável entre lugar e excelência literária.
Quando da vinda a Belém, para a cerimônia de aquisição de sua biblioteca particular pelo Estado, Haroldo Maranhão se reuniu com alguns de seus amigos na casa do crítico e ensaísta Benedito Nunes. Presentes, além deles, o poeta Max Martins, o jornalista Lúcio Flavio Pinto e o escritor Benedito Monteiro. Conversaram sobre a promessa feita há anos de cada um escrever sobre um determinado assunto e depois se reunirem e discutirem o que cada um conseguiu fazer. Uma equipe da TV Cultura do Pará registrou a reunião e entrevistou os convidados para um documentário sobre o autor de As Peles frias. Foi parca a repercussão sobre esse encontro. O que não surpreende.
Secretários, administradores, imprensa e leitores têm responsabilidade sobre o desconhecimento dessas personalidades. Há praticamente, exceto em círculos especializados, um completo ineditismo em relação a esses autores. O clã que retrata o caboclo prendado, com a cuia de açaí na mão, enfeitiçado pelo boto, esperando a bonomia diária da natureza para seu sustento, falando em uma sintaxe incorreta, tendo imagens oníricas para compreender o mundo – não importando para seus paladinos o quanto este mundo se modifica, afetando seu protegido – impede alguns tipos de linguagem (ficcional, científica menos, imagética) que desvirtue suas auráticas musas da criatividade. A crítica inexiste nos periódicos, abolida pela idéia de que o jornalismo deve ter “uma linguagem fácil” (sic), como se literatura fosse algo impenetrável e a crítica a obnubilasse ainda mais com suas difíceis e complicadas interpretações.
Interpretações surgiram no Suplemento Literário, Arte e Literatura, coordenado por Haroldo Maranhão e publicado na Folha do Norte, na primeira metade do século passado, se tornando um dos mais respeitados cadernos literários na época. Por lá passaram: Mário Faustino, José Veríssimo, Max Martins, Benedito Nunes, Humberto de Campos entre outros. Lucio Flávio Pinto conta uma história de que quando Rômulo Maiorana comprou a Folha do Norte, foi perguntado por um dos funcionários sobre o que fazer com aqueles “jornais velhos”. Rômulo Maiorana ordenou que jogasse no lixo. Lúcio Flávio ainda teve tempo de salvar alguns exemplares.
Haroldo Maranhão pretendia escrever uma biografia de Felipe Patroni. Quem foi este personagem a quem o escritor dedica interesse? Se líderes de opinião mergulharam em Cabelos no Coração, livro de Haroldo, sabem de quem se trata. Caso contrário, não poderiam reclamar, assim que o livro fosse lançado, de que não tiveram conhecimento.
Sobre a história de uma família que participou, como poucas, dos mais importantes acontecimentos ocorridos durante os primeiros governos paraenses do século anterior, suponho que os historiadores conheçam Querido Ivan. Livro em que, tendo em vista a anunciada morte do irmão, Haroldo Maranhão faz uma recordação dos fatos que marcaram a história da infância de ambos, reclusos, pela perseguição política da época, na Folha do Norte (no antigo prédio do jornal O Liberal, na Gaspar Viana), entre bobinas, gráficos, empregados e a imagem da vida, vista de um ângulo, no mínimo, diferente.
Refere-se a um dos principais momentos da história do Pará, envolve a conjuntura social das primeiras décadas do século XX. Se os bacharéis de história não a conhecem, têm suas justificativas. Devem julgar a narrativa íntima demais, impossível de ser enquadrada em algum paradigma canônico, sem uma correlação imediata com a grandiosa, tão exaltada e desconhecida Revolução Cabana ou com a arquitetura da Belle Époque. Esses, momentos que permanecem insepultos, menos pela pesquisa detida e aprofundada, do que pela propaganda que deles se utiliza.
O regionalismo que interessa é aquele que aborda o lado pitoresco do lugar; a fala, os costumes, as lendas, os mitos históricos, referidos eternamente sob a mesma interpretação gloriosa e, quando menciona mudanças, prima pela eterna lamentação “do nosso paraíso perdido”, vilipendiado. É o que vemos na imprensa e o que se lê ad nauseam nas dissertações e teses acadêmicas. Existem exceções, é claro. Confirmam a regra.
Nada de escrever um poema em que o principal cartão postal de Belém, e orgulho dos regionalistas, serve de cenário para simbolizar a desestruturação do sujeito, pela exploração e miséria ali instaurada, como em Ver-o-Peso de Max Martins. É interdita uma produção, em que uma das personagens principais dos regionalistas, o caboclo, por condições que se tornam dominantes e cuja compreensão lhe foge, se torna estrangeiro em seu habitah, como em Verde Vagomundo de Benedito Monteiro. Impossível para os regionalistas, ao menos a discussão, de uma análise que sugere a necessidade da cooperação internacional para que a Amazônia consiga usufruir das riquezas que a ciência pode proporcionar ao se aprofundarem as pesquisas, como a de Lúcio Flávio Pinto. Neste lugar que Euclides da Cunha considerou, em À Margem da História, ser o Homem um intruso.
Para regionalistas, O Ver-o-Peso é uma catedral e o caboclo um santo; a história a virgem responsável por cuidar do passado redentor e qualquer manifestação que acene para além das fronteiras de “nossa Hiléia”, uma heresia. Caso se sintam ameaçados, empunharão ervas e líquidos e evocarão a mãe do mato, protetora da floresta, para que o agouro seja debelado.
Como patrono da V Feira Pan-Amazônica do Livro ocorrida em 2001, Haroldo Maranhão deveria voltar a Belém. Não pôde por motivos de saúde. Sua biblioteca, com um acervo de aproximadamente cinco mil volumes, cultivada durante longos 40 anos de auto-exílio no Rio de Janeiro, foi doada para o Estado pela Companhia Vale do Rio Doce. Nela estão raridades, como a edição de Os Lusíadas, datada do século XVI, a correspondência do autor com os modernistas e com o amigo Benedito Nunes e as primeiras edições, edições autografadas e especiais de livros de Carlos Drummond de Andrade. Os volumes fazem parte da Sala Especial Haroldo Maranhão na Biblioteca Arthur Viana. Deveria tornar-se fonte de consulta obrigatória para os que pretendem excursionar pelo conhecimento da Amazônia e das artes no Brasil.
O confinamento das letras amazônicas poderá ser amainado. Sugiro aos regionalistas, escritores, acadêmicos, jornalistas, etc., a marcarem visitas coletivas à sala Haroldo Maranhão, cada um com seu caderno de anotações. Não seriam permitidos adereços indígenas, batuques, ou qualquer tipo de performance desvinculada de seu contexto. Poderiam desnortear e tirar a atenção dos outros freqüentadores.
Leriam, pelo menos, dez livros por mês. Em seguida, entregariam resenhas críticas de cada exemplar lido e fariam comparações com a literatura que propagam. Quem sabe um dia poderiam integrar o seleto grupo do qual Haroldo, Faustino e outros fizeram parte. Para dissonar um pouco.
Diferentemente desses coristas, Veríssimo e os demais têm em comum a universalidade na forma e no trato dos seus temas. Coisa não muito apreciada por essas plagas, em que ser regionalista parece ser o passaporte para a qualidade. O regional existe neles como substrato temático. Utilizam-no de acordo com a linguagem adotada, ultrapassando os antolhos de uma literatura (literatura em geral, não apenas a ficcional) que se repete por adotar as mesmas fórmulas. Conseguem se referir à região sem reduzi-la, englobando-a em conjunto com outros temas, identificando os problemas, as mudanças, variando e multiplicando as possibilidades de leitura. Não existe ligação inextricável entre lugar e excelência literária.
Quando da vinda a Belém, para a cerimônia de aquisição de sua biblioteca particular pelo Estado, Haroldo Maranhão se reuniu com alguns de seus amigos na casa do crítico e ensaísta Benedito Nunes. Presentes, além deles, o poeta Max Martins, o jornalista Lúcio Flavio Pinto e o escritor Benedito Monteiro. Conversaram sobre a promessa feita há anos de cada um escrever sobre um determinado assunto e depois se reunirem e discutirem o que cada um conseguiu fazer. Uma equipe da TV Cultura do Pará registrou a reunião e entrevistou os convidados para um documentário sobre o autor de As Peles frias. Foi parca a repercussão sobre esse encontro. O que não surpreende.
Secretários, administradores, imprensa e leitores têm responsabilidade sobre o desconhecimento dessas personalidades. Há praticamente, exceto em círculos especializados, um completo ineditismo em relação a esses autores. O clã que retrata o caboclo prendado, com a cuia de açaí na mão, enfeitiçado pelo boto, esperando a bonomia diária da natureza para seu sustento, falando em uma sintaxe incorreta, tendo imagens oníricas para compreender o mundo – não importando para seus paladinos o quanto este mundo se modifica, afetando seu protegido – impede alguns tipos de linguagem (ficcional, científica menos, imagética) que desvirtue suas auráticas musas da criatividade. A crítica inexiste nos periódicos, abolida pela idéia de que o jornalismo deve ter “uma linguagem fácil” (sic), como se literatura fosse algo impenetrável e a crítica a obnubilasse ainda mais com suas difíceis e complicadas interpretações.
Interpretações surgiram no Suplemento Literário, Arte e Literatura, coordenado por Haroldo Maranhão e publicado na Folha do Norte, na primeira metade do século passado, se tornando um dos mais respeitados cadernos literários na época. Por lá passaram: Mário Faustino, José Veríssimo, Max Martins, Benedito Nunes, Humberto de Campos entre outros. Lucio Flávio Pinto conta uma história de que quando Rômulo Maiorana comprou a Folha do Norte, foi perguntado por um dos funcionários sobre o que fazer com aqueles “jornais velhos”. Rômulo Maiorana ordenou que jogasse no lixo. Lúcio Flávio ainda teve tempo de salvar alguns exemplares.
Haroldo Maranhão pretendia escrever uma biografia de Felipe Patroni. Quem foi este personagem a quem o escritor dedica interesse? Se líderes de opinião mergulharam em Cabelos no Coração, livro de Haroldo, sabem de quem se trata. Caso contrário, não poderiam reclamar, assim que o livro fosse lançado, de que não tiveram conhecimento.
Sobre a história de uma família que participou, como poucas, dos mais importantes acontecimentos ocorridos durante os primeiros governos paraenses do século anterior, suponho que os historiadores conheçam Querido Ivan. Livro em que, tendo em vista a anunciada morte do irmão, Haroldo Maranhão faz uma recordação dos fatos que marcaram a história da infância de ambos, reclusos, pela perseguição política da época, na Folha do Norte (no antigo prédio do jornal O Liberal, na Gaspar Viana), entre bobinas, gráficos, empregados e a imagem da vida, vista de um ângulo, no mínimo, diferente.
Refere-se a um dos principais momentos da história do Pará, envolve a conjuntura social das primeiras décadas do século XX. Se os bacharéis de história não a conhecem, têm suas justificativas. Devem julgar a narrativa íntima demais, impossível de ser enquadrada em algum paradigma canônico, sem uma correlação imediata com a grandiosa, tão exaltada e desconhecida Revolução Cabana ou com a arquitetura da Belle Époque. Esses, momentos que permanecem insepultos, menos pela pesquisa detida e aprofundada, do que pela propaganda que deles se utiliza.
O regionalismo que interessa é aquele que aborda o lado pitoresco do lugar; a fala, os costumes, as lendas, os mitos históricos, referidos eternamente sob a mesma interpretação gloriosa e, quando menciona mudanças, prima pela eterna lamentação “do nosso paraíso perdido”, vilipendiado. É o que vemos na imprensa e o que se lê ad nauseam nas dissertações e teses acadêmicas. Existem exceções, é claro. Confirmam a regra.
Nada de escrever um poema em que o principal cartão postal de Belém, e orgulho dos regionalistas, serve de cenário para simbolizar a desestruturação do sujeito, pela exploração e miséria ali instaurada, como em Ver-o-Peso de Max Martins. É interdita uma produção, em que uma das personagens principais dos regionalistas, o caboclo, por condições que se tornam dominantes e cuja compreensão lhe foge, se torna estrangeiro em seu habitah, como em Verde Vagomundo de Benedito Monteiro. Impossível para os regionalistas, ao menos a discussão, de uma análise que sugere a necessidade da cooperação internacional para que a Amazônia consiga usufruir das riquezas que a ciência pode proporcionar ao se aprofundarem as pesquisas, como a de Lúcio Flávio Pinto. Neste lugar que Euclides da Cunha considerou, em À Margem da História, ser o Homem um intruso.
Para regionalistas, O Ver-o-Peso é uma catedral e o caboclo um santo; a história a virgem responsável por cuidar do passado redentor e qualquer manifestação que acene para além das fronteiras de “nossa Hiléia”, uma heresia. Caso se sintam ameaçados, empunharão ervas e líquidos e evocarão a mãe do mato, protetora da floresta, para que o agouro seja debelado.
Como patrono da V Feira Pan-Amazônica do Livro ocorrida em 2001, Haroldo Maranhão deveria voltar a Belém. Não pôde por motivos de saúde. Sua biblioteca, com um acervo de aproximadamente cinco mil volumes, cultivada durante longos 40 anos de auto-exílio no Rio de Janeiro, foi doada para o Estado pela Companhia Vale do Rio Doce. Nela estão raridades, como a edição de Os Lusíadas, datada do século XVI, a correspondência do autor com os modernistas e com o amigo Benedito Nunes e as primeiras edições, edições autografadas e especiais de livros de Carlos Drummond de Andrade. Os volumes fazem parte da Sala Especial Haroldo Maranhão na Biblioteca Arthur Viana. Deveria tornar-se fonte de consulta obrigatória para os que pretendem excursionar pelo conhecimento da Amazônia e das artes no Brasil.
O confinamento das letras amazônicas poderá ser amainado. Sugiro aos regionalistas, escritores, acadêmicos, jornalistas, etc., a marcarem visitas coletivas à sala Haroldo Maranhão, cada um com seu caderno de anotações. Não seriam permitidos adereços indígenas, batuques, ou qualquer tipo de performance desvinculada de seu contexto. Poderiam desnortear e tirar a atenção dos outros freqüentadores.
Leriam, pelo menos, dez livros por mês. Em seguida, entregariam resenhas críticas de cada exemplar lido e fariam comparações com a literatura que propagam. Quem sabe um dia poderiam integrar o seleto grupo do qual Haroldo, Faustino e outros fizeram parte. Para dissonar um pouco.
6 comentários:
A aula foi bacana mas esse post tá muito legal...
boa pesquisa...eu acho que esse tipo de regionalismo romântico, ao meu ver, que é propagado e escrito, possa ser um achismo histórico propagado para o diferenciamento cultural da região. Pois do que adianta eu morar numa região onde tudo aconteceu igual em todos os lugares. As pessoas gostam de ser diferentes...
Ou então eu estou totalmente errada!!!!ahuahuahauah mas deixa isso pra lá... hehehe
adorei o texto...
ótima opnião
:*****
Erika Torres de Azevedo
Postagem interessante, conhecia alguns personagens apenas de 'nome', um ou outro pequeno fragmento lido poraí. ( as pressas para cumprir programa de cursinho )
Infelizmente as abordagens de iniciação literaria por essas bandas, sobretudo na escola, ainda não valorizam este tipo de leitura, o do conhecimento da região em que se vive, pelo menos. Não culpo só a falta de interesse dos profissionais citados - e responsáveis - que ajudariam a propagar esses autores, mas também da maioria do povo nortista, que ainda não se interessa por esses assuntos.
Enfim... gostei do texto. Vou ficar ligado no decorrer das postagens, principalmente nas que falam sobre temas que ainda não exploro.
Abraço!
Brunno Apolonio
porra relivaldo,
que texto bacana! reflete bem a situação pseudo-sofrida que os nossos literatos tanto propagam sobre a região. lembro de uma aula de estética em que comentastes sobre essa mania do Norte de se fazer de coitadinho, enquanto o mundo segue em frente. muito bem-sacado! =)
"Para regionalistas, O Ver-o-Peso é uma catedral e o caboclo um santo; a história a virgem responsável por cuidar do passado redentor e qualquer manifestação que acene para além das fronteiras de “nossa Hiléia”, uma heresia. Caso se sintam ameaçados, empunharão ervas e líquidos e evocarão a mãe do mato, protetora da floresta, para que o agouro seja debelado."
hahahahah, achei esse trecho o melhor de todos. aborrecido, mas real!
abraços professor! e parabéns pelo texto, muito bom!
Faço meu o trecho preferido do Guto.
Aliás, é bem cretino esse bairrismo cultural onde tudo que é folclórico é o topo da cadeia cultural. Tão cretino quanto buscar só o que é externo. É por isso que os setores literários e musicais estão há tanto neste embargo provocado e assinado embaixo pelos daqui. Excelente texto.
*Aliás, agora que sou uma blogger acidental, esse espaço virará habitual =)
Beijão, Relibaaaldo.
não tem nada que me irrite mais do que a situação "pseudo-sofrida", como disse o Guto, que, não só os literários, mas o norte inteiro propaga. E essa super-valorização da cultura é o que faz o resto do mundo pensar que tudo aqui é índio.
Gostei bastante do texto!
:**
Bom, opinião cada um tem.O bom mesmo é ter todo esse embasamento pra defender a idéia.Gostei do texto, assim como de vários outros, e ainda estou esperando meu livro.A tecnologia não está à meu (ou seu) favor, nenhum dos meus e-mais mandam mensagem pra nenhum dos teus e-mails, aí rola todo aquele estresse, queda de cabelo, mas felizmente, lembrei desse(bendito) blog.Continue com seus escritos aborrecidos, mas reais.
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