
Tenho uma comunidade no orkut. Qualquer vagabundo tem. Hoje, me envia um amigo, ela tem pouco mais de 20 membros e sua descrição é esta: “comunidade dedicada aos admiradores do professor mais bêbado-chato-irônico-sarcástico-rancoroso-detestável-antipático, porém amado por todos: Relivaldo de Oliveira”. Está errado. Não sou bêbado (tento, é verdade, sempre que posso) e muito menos amado por todos (não tento, é verdade, sempre que posso).
Um amigo me diz que vários professores têm comunidades feitas por outrem e de que é uma forma de homenagem. Huumm... sei.. Estou me tornando um pop star. Sou a Britney má da floresta. Isso é bom? Não sei. Temo ficar careca e abandonar minhas criancinhas.
Venho criticando, neste espaço, esse tipo de exposição. Mas não há como controlar o sadismo web, o masoquismo cibernético, o rancor on line do amante desprezado, ou uma declaração de admiradores.
Minha comunidade possui alguns textos e frases atribuídas a mim. Assumo-as. Um dos personagens criticado toda vez que nos encontramos me lança o olhar de raiva. Tadinho. Se fosse me importar com quem me odeia não faria outra coisa. Como Flaubert, acredito que o valor de um homem pode ser medido pelo número de inimigos que possui e pelo o que ele provoca de oposição.
Em uma defesa recente de um trabalho, um professor de filosofia amigo meu tocou nessa questão contemporânea: “Vocês já pensaram por que no orkut as meninas não são deprimidas, são todas amigas e gostam de ler?” É simples, como ele mesmo argumentou, porque no espaço virtual o que prevalece é a imagem, o imaginário, o simulacro (Baudrillard, Jameson).
Na esquizofrenia da vida contemporânea a imagem da menina reflete os adormecidos recalques de sujeitos fragmentados (Freud diria reprimidos). A menina quer ser popular, bonita e inteligente, mesmo tendo a beleza da maquiagem, a popularidade de um ditador e a inteligência de um basset.
Em uma reunião de amigos quando alguém estranho (só os estranhos fazem isso) aponta a câmera digital parece que vai capturar algo que quero que permaneça lá (Benjamin diria aura). Se digo não, ficam bravos. Não ligo, um miguxo a menos. Click!
Ter 20 amigos e dizer que sou amado por todos não reflete minha vida real. Mas quem se importa com a vida real? A pós-modernidade nos legou a vida ideal, mesmo sendo simulacional. Todos querem essa vida. Qualquer vagabundo pode tê-la.
Um amigo me diz que vários professores têm comunidades feitas por outrem e de que é uma forma de homenagem. Huumm... sei.. Estou me tornando um pop star. Sou a Britney má da floresta. Isso é bom? Não sei. Temo ficar careca e abandonar minhas criancinhas.
Venho criticando, neste espaço, esse tipo de exposição. Mas não há como controlar o sadismo web, o masoquismo cibernético, o rancor on line do amante desprezado, ou uma declaração de admiradores.
Minha comunidade possui alguns textos e frases atribuídas a mim. Assumo-as. Um dos personagens criticado toda vez que nos encontramos me lança o olhar de raiva. Tadinho. Se fosse me importar com quem me odeia não faria outra coisa. Como Flaubert, acredito que o valor de um homem pode ser medido pelo número de inimigos que possui e pelo o que ele provoca de oposição.
Em uma defesa recente de um trabalho, um professor de filosofia amigo meu tocou nessa questão contemporânea: “Vocês já pensaram por que no orkut as meninas não são deprimidas, são todas amigas e gostam de ler?” É simples, como ele mesmo argumentou, porque no espaço virtual o que prevalece é a imagem, o imaginário, o simulacro (Baudrillard, Jameson).
Na esquizofrenia da vida contemporânea a imagem da menina reflete os adormecidos recalques de sujeitos fragmentados (Freud diria reprimidos). A menina quer ser popular, bonita e inteligente, mesmo tendo a beleza da maquiagem, a popularidade de um ditador e a inteligência de um basset.
Em uma reunião de amigos quando alguém estranho (só os estranhos fazem isso) aponta a câmera digital parece que vai capturar algo que quero que permaneça lá (Benjamin diria aura). Se digo não, ficam bravos. Não ligo, um miguxo a menos. Click!
Ter 20 amigos e dizer que sou amado por todos não reflete minha vida real. Mas quem se importa com a vida real? A pós-modernidade nos legou a vida ideal, mesmo sendo simulacional. Todos querem essa vida. Qualquer vagabundo pode tê-la.
P.s: A imagem acima é do Filme Blade Runner, de Ridley Scott, 1982. No mundo do filme já não se sabe distinguir imagem da cópia, humanos de replicantes. “Admirável mundo novo”.
23 comentários:
Mt bom msm! Simulacro, pós-modernidade, Jameson... isso me faz lembrar algo... e como.
Mt bom msm! Simulacro, pós-modernidade, Jameson... Isso me faz lembrar algo... e como!
Relivaldo, deixa de ser chato e aceita que você é cheio de miguxos fófis que adoram tirar fotos quando saem pra baladinha de sábado! hahahaha
Sem querer ser sádico...o cara que criou a tua comunidade já não está entre nós.
será isso um sinal?
Lembrei da essência de uma frase do Chaplin. Ela diz que o homem é um animal com instintos primários de sobrevivÊncia, e isso pode ser adaptado em vários aspectos, sendo que o progresso, a tecnologia, os "engenhos" criados por eles, se desenvolveram mais do que eles próprios. Fazendo com que o progresso da ciência, viesse antes mesmo do progresso da alma, da ética, e assim por diante. Bom, talvez tenha como explicar isso. A tecnologia é feita por poucos, mas para muitos, o que é relativo também. O fato é que, embora com a internet, com o orkut, por exemplo, essa questão de querer mostrar uma coisa que vc não é seja intensificada, ela sempre existiu, agora eu acredito que o que é mais importante perceber aí, é até que ponto as pessoas se iludem com essa "realidade" altamente estetizada. Acredito que é nessa hora que vale o bom senso de cada um para analisar as diversas situações.
Bravo! Bate uma foto comigo para o meu perfil no Orkut? Faz tempo que eu não atualizo.
Texto rápido como a pos-modernidade. Mas essencial, como poucos. Vamos nos adaptando a esse admirável mundo novo...
Abs.
Elielton
Sim Daniella, algo que relembraremos sempre com prazer. Saudações minha cara.
Mayara, Mayara. Chato eu? Sou a pessoa mais agradável que conheço. Sei conversar, deixo as pessoas à vontade e só costumo ser levemente rude com a ignorância, da qual me esquivo discretamente dizendo: “boa noite barbárie”. Boa noite Mayara.
Anônimo, vejo que você é uma dos meus admiradores masoquistas secretos. Você já ouviu falar na psicanálise em projeção? Não? Será isso um sinal?!
Soane, Você compreendeu o que eu quis dizer e isso não é pouco. Abraço.
Estimado amigo Elielton (um dos três ou quatro amigos) não peça algo que não posso atender. Você sabe que minha relação com a fotografia é muito mais tratá-la como objeto do que como objetivo (fui óbvio demais?). Você tem razão, o texto é rápido sim como a pós-modernidade, como os álbuns digitais que permanecem em uma estranha duração da fugacidade, das vidas fugazes, preenchidas com a fragilidade dos dias que se querem eternos.
Um forte abraço.
Relivaldo de Oliveira.
Eu vi a comunidade..achei uma grosseria e uma falta de respeito enorme..só não entendo uma coisa! onde eles conseguiram uma foto sua com o cabelo tão arrumadinho e sorrindo, achei incrível..rs.
mas o ser humano é assim, uma briga entre o que acha que acredita ser verdade, e aquela verdade que lhe parece mais conveniente, ou mais fácil de ser aceita.
É facil achar que és um "impetuoso dono da verdade", como outrora já ouvi.
E eu não gosto de achar nada! Creio no inacreditável, neste caso, claro!
george Orwell que o diga, estamos expostos,expostos,expostos.....Muito bom teu blog, vou passar a acompanhá-lo (claro, se você assim permitir)
Tatiane, pode ser encarado como uma grosseria ou homenagem. Pouco me importo, mas agradeço sua sensibilidade.
Sobre a foto, não me lembro exatamente onde ou quando foi, um amigo disse que, pelo sorriso, só pode ser montagem. Ao contrário do que muitos pensam sou uma pessoa com bom humor, frequentemente riu de gente que insiste em achar que acha alguma coisa.
Ah, o cabelo custa 30 reais e só corto com tesoura para não danificar as melenas.
Abraço.
Cara Luciana sou um impetuoso defensor da verdade, mas sempre prefiro a verossimilhança, no sentido aristotélico, claro.
Abraço.
Anti-Herói seja bem vindo. “There is a light that never goes out”.
Meus cumprimentos.
Relivaldo de Oliveira.
"frequentemente riu de gente que insiste em achar que acha alguma coisa."...tá bom vai, eu poderia ter ficado sem essa mas não resistir em comentar...e já que te faz rir os achismos, aqui vai mais uma..eu te ACHO um fofo, fofo, fofo..bj
Que bom que a Soane não faltou às aulas do Camarão...
Eu já falei diretamente pra ti o que eu achei do teu texto, mas enfim, agora eu comecei a gostar mais das tuas respostas aos comentários do que dele em si. De qualquer forma, a comunidade com a qual te brindaram me pareceu até bem simpática. Bem mais simpática do que ser considerado "fofo", seja lá o que isso quer dizer.
Mas e o que fazer?
O futuro híbrido, do qual alguns pós-modernistas aspiram, já se faz presente...
Entre o real e o imaginário representado exitem os filhos da pós-modernidade. Sem ideais, sem identidade, auto-idênticos. E a quem podemos culpar?
Saudações ao blog.
Esse texto ficou bom demais. Me lembra um comentário teu (feito em sala) sobre o Kenny G e o John Coltrane. Eu ri pra cacete assim como ri do texto comentado.
Tatiane, grato pelo carinho. Volte sempre aqui para me chamar de coisas que Dona Lídia (Jocasta) ficaria escarlate (aprendi com Eça) ao ouvir.
Abraço.
Camila, minha cara e estimada Camila, simpática é tão eloqüente e verdadeiro quanto fofo.
Beijos não simulacionais.
Anônimo, o que podemos fazer? Bom, para começar que tal nos desfazermos dessa necessidade imperiosa de darmos a mão ao primeiro aceno da mediocridade? Que tal chamarmos as coisas pelo nome? Que tal não nos acovardarmos diante do primeiro pateta que tenta com seu embuste nos engabelar? O mundo simulacional não é um mal em si, e sim simulacionar o mundo inteiro (uuuhhh... fui sofista agora). Não precisamos culpar ninguém, isso é demasiado cristão. Prefiro punição (quis dizer (auto)crítica).
Abraço.
Samora, que bom que Você gostou. Volte sempre e evite Kenny G, prefira Parker ou mestre Cupijó.
Abraço,
Relivaldo de Oliveira.
Carissimo professor, eis que me faço de encherida e comento o seu texto.
De alguma maneira as pessoas se acostumaram tanto em viver uma vida virtual que a vida real,do toque, da exclamação e da interrogação, virou um mero pretesto para divulgar nossa vida virtual, a vida perfeita, sem falhas, a vida "comentada". Interessante como todos se acostumaram a se prender nessas coisas que sao chamados "sites de relacionamentos", é incrivel olhar em volta, e perceber que as pessoas estao com, pelo menos um site desses nos favoritos. Pode ser "orkut", "badoo", "flickr" ou "myspace", o que importa é conhecer e ser conhecido, é se divulgar e divulgar a si mesmo.
Pergunto-me, apenas, se existe alguem que fale com, pelo menos, metade da sua lista de "miguxos" no orkut.
Otimo texto, e espero q meu comentario tenha sido cabivel.
Grande Abraço.
Ana Bolena =D
Ralph Waldo Emerson uma vez escreveu:
"Não existe privacidade que não possa ser penetrada.
Nenhum segredo pode ser mantido num mundo civilizado.
Sociedade é uma bola mascarada, onde todos escondem seu verdadeiro caráter.
E o revela, escondendo-o"
"A sociedade é uma festa a fantasia onde todos escondem sua verdadeira personalidade. E ao esconder, a revelam."
"A menina quer ser popular, bonita e inteligente, mesmo tendo a beleza da maquiagem, a popularidade de um ditador e a inteligência de um basset".
Foi-se o tempo em que as piadas tinham os devidos créditos dados. Se bem lembro, essa história do basset fui eu quem puxou. Mas, tudo bem, deixa pra lá. O que importa é já posamos para várias fotos juntos.
Tylon, não me lembrava se foi Você quem disse isso. Mas se foi, os créditos estão dados.
Verdade, posamos para várias fotos, ainda bem que nenhuma ficou.
abraço,
Relivaldo de Oliveira.
"Verdade, posamos para várias fotos, ainda bem que nenhuma ficou."
Isso é o que você pensa, meu chapa. Lembre-se que eu bebo, danço e jogo bola.
é incrível como você faz um bom uso desse mundo pós-moderno!
Isso chega a ser Cômico.
Professor...
Achei algo muito interessante, pois toda essa preocupação em relação a essa manifestação, acredito eu, de pessoa que te admiram é algo que possibilita escrever algo e saber que você vai ler. E gostando ou não fica a seu critério... mas é bom saber o que os outros acham de nós (você)... Shalom!!!
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