<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075</id><updated>2012-02-03T00:22:47.036-03:00</updated><category term='messi'/><category term='jornalismo paraense'/><category term='jornalismo'/><category term='ufanismo'/><category term='futebol'/><title type='text'>Relivaldo de Oliveira</title><subtitle type='html'>“O homem que se gaba de só dizer a verdade é simplesmente um homem sem nenhum respeito por ela. A verdade [...] é algo para ser acalentada, acumulada e desembolsada apenas quando absolutamente necessário. O menor átomo de verdade representa a amarga labuta e agonia de algum homem; para cada pilha dela, há um túmulo de um bravo dono da verdade sobre algumas cinzas solitárias e uma alma fritando no Inferno”. H.L Mencken  em "O livro dos insultos".</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-5872995025999871664</id><published>2011-07-01T21:12:00.015-03:00</published><updated>2011-07-03T05:31:49.337-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo paraense'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ufanismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='messi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>Futebol, Ufanismo, Jornalismo. Ou: O dia em que Messi jogou em Belém do Pará</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-lZYmtvW0X6g/Tg5qmm0fYfI/AAAAAAAAAH8/4VwbLQ2KiO4/s1600/messi.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624550196120609266" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-lZYmtvW0X6g/Tg5qmm0fYfI/AAAAAAAAAH8/4VwbLQ2KiO4/s320/messi.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Messi atuando por um time paraense &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual a maior glória do futebol paraense em mais de cem anos de atuação de seus principais times? A chegada às oitavas de final da copa libertadores da América, alavancada por um campeonato que não existe mais, a copa dos campeões (o que não desmerece a ousadia, mas é exceção, nada além disso). Fora isso, os times paraenses nunca foram campeões da copa do Brasil, nunca ganharam um título nacional na série A, nem sequer chegaram a uma final desses torneios. Times com menos de duas décadas de formação já alcançaram melhores resultados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas isso não é nenhum empecilho para as torcidas apaixonadas por Remo e Paysandu que continuam a acompanhar seus times com o mesmo fervor dos últimos anos e a se digladiar (não é metáfora) para ver quem é o melhor. Bom, aí é torcida, não haveria muito o que explicar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me deixa intrigado é a importância dada pelo jornalismo paraense ao futebol. O tom de seriedade que encaram o esporte (alguns comentaristas parecem debater &lt;em&gt;A crítica da razão pura&lt;/em&gt;, com seus paletós, seus semblantes graves, suas mãos espalmadas e juntas, sempre afetando seriedade e profundidade no que dizem), a cobertura aos times regionais, a quantidade de programas esportivos (contando, rapidamente, são quase 10!), o número de &lt;em&gt;experts&lt;/em&gt; em futebol, poderia dar a entender que estamos falando de times que sempre figuraram e figuram entre os melhores times do país, quiçá do mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É, do mundo. Quando escrevo essas linhas, a capa de um caderno de esportes de um jornal belenense estampa a foto de um ex-jogador de um clube paraense ao lado de uma foto do melhor jogador do mundo, o argentino Lionel Messi. A manchete é a seguinte: “São tão semelhantes!?” No subtítulo se lê: “O que há de comum entre Paysandu e a Argentina, além da semelhança na camisa? Os hermanos apostam em Messi, o verdadeiro (sic), para fazer sucesso na copa América, que começa hoje. E o Papão sonha que Thiago Potiguar, &lt;strong&gt;versão local do melhor jogador do mundo&lt;/strong&gt;, faça o mesmo sucesso na Série C. Isso mesmo! Thiago Potiguar, &lt;strong&gt;o Messi da Curuzu&lt;/strong&gt;, está de volta! A informação é do presidente do Paysandu, Luiz Omar Pinheiro.” (os negritos, ops!, as palavras enfatizadas são minhas). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se vê, o melhor jogador do mundo é comparado a um atleta que atuou no futebol paraense, sim, no futebol paraense, esse mesmo futebol que tantos títulos nacionais e internacionais deu ao torcedor e que, hoje, um dos seus times disputará a série c do campeonato brasileiro e o outro nem série tem para jogar. Esse jornalismo ufanista, como todo ufanismo, parece não se dar conta da situação dos clubes, da ausência de títulos, da falta de representatividade no cenário nacional. Hoje, o futebol paraense parece desaparecer do noticiário nacional, nem sequer o número de público chama mais a atenção das redações de fora do Estado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que isso se relaciona à necessidade de persuasão do jornalismo em busca de leitores, mas a persuasão quase sempre necessita de bons argumentos para garantir seu efeito. Não é o caso do futebol do Estado. Mas isso nada significa para o jornalismo esportivo da capital. Para ele, Messi pode ser comparado sem nenhum problema a um atleta de um clube regional, já que esse jornalismo acredita, de algum modo, que o esporte paraense detém condições suficientes para isso. Não tem problema, esse jornalismo resolve a situação, “a versão local do melhor jogador do mundo”, estará entre nós. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não venham me dizer que essa comparação trata-se apenas de uma brincadeira, ou de um uso típico das redações do jornalismo esportivo. Isso faria sentido se o futebol nortista tivesse algum paralelo com o futebol onde joga “o verdadeiro” Messi. Trata-se, na verdade, de uma situação que se prolonga há anos na imprensa regional: o abandono completo de alguns dos pressupostos básicos do jornalismo, especialmente do esportivo, o que em parte pode explicar, de forma contraditória, a paixão pelo futebol. Masoquismo e sadismo, aí, como quase sempre, são inseparáveis. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por que o jornalismo esportivo de Belém do Pará, além dessa cobertura dos gols da rodada, dos melhores momentos, das contratações, etc. não se dedica a realizar uma das características fundamentais do fazer jornalístico: a investigação, a apuração dos fatos que vão além da aparência, a busca de interpretações objetivas sobre a situação dos clubes? Diga, meu caro torcedor/leitor, quantas matérias ou reportagens Você já viu estampadas nas capas dos jornais, ou nas manchetes dos programas de esporte na TV, que tinham como tema investigar os motivos pelos quais o futebol paraense quase sempre teve uma boa média de público mas que, mesmo assim, seus times permanecem decadentes? Quantas linhas na imprensa paraense Você já leu a respeito dos contratos de patrocínio; dos meandros que cercam a venda de jogadores; das administrações de suas equipes; das decisões tomadas nas reuniões; das condições degradantes dos torcedores nos estádios, que vão além das miudezas, da superficialidade, dos “gols da rodada”? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jornalismo paraense, prenhe de programas sobre o fantástico futebol do Estado, continua sem ter programas e páginas voltados para a ciência e tecnologia, justamente em uma região na qual esses dois aspectos são fundamentais. Não se trata de proibir esse ou aquele programa, mas isso diz muito da condição regional, e diz muito desse jornalismo. A idéia de que o jornalismo dá o que o público quer, também, aqui, é uma simplificação. Se assim fosse, por que o público não gostaria da explicação sobre os motivos de ser tratado como gado pelos clubes, por clubes decadentes, comandados por coronéis? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa forma de encarar o futebol paraense se assemelha muito à maneira de encarar a violência no Estado; através das notícias que não vão além do ocorrido, da imagem, do &lt;em&gt;fait divers&lt;/em&gt;, sem uma contextualização que busque aquilo que deveria caber ao jornalismo: a organização da realidade pelos relatos jornalísticos, a aproximação da verdade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Verdade?! Para determinado jornalismo isso cada vez mais vem sendo um conceito que se pode brincar, colocar imagens que impressionem, pensar que se trata apenas de uma troca de passes com a imaginação. “São tão semelhantes!?” Para esse jornalismo, parece que sim. Para ele, Messi já jogou em Belém do Pará. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-5872995025999871664?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/5872995025999871664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=5872995025999871664&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5872995025999871664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5872995025999871664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2011/07/esporte-ufanismo-jornalismo-ou-o-dia-em.html' title='Futebol, Ufanismo, Jornalismo. Ou: O dia em que Messi jogou em Belém do Pará'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-lZYmtvW0X6g/Tg5qmm0fYfI/AAAAAAAAAH8/4VwbLQ2KiO4/s72-c/messi.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-4071999767365898046</id><published>2010-11-11T00:27:00.003-03:00</published><updated>2010-11-11T03:37:48.165-03:00</updated><title type='text'>Ausência, Presença.</title><content type='html'>Prezados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este espaço está há tempos sem nova publicação devido aos compromissos pessoais do autor. Em breve, espero muito breve, os textos voltarão. Relembro apenas que, como os textos não seguem o critério de atualidade a todo custo, creio que os textos permanecem para quem quiser lê-los.&lt;br /&gt;Aproveito para divulgar a Revista Repraesentatio &lt;a href="http://repraesentatio.wordpress.com/"&gt;http://repraesentatio.wordpress.com/&lt;/a&gt; que reúne parte dos meus textos e vários outros de jovem pesquisadores interessados em compartilhar, em um único espaço, seus trabalhos sobre cultura. Os textos seguem um tom de seriedade, mas com leveza, alguns são acadêmicos, outros são publicações periódicas. É relevante? É. Quem disse? Eu, ora!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Helênicos, sintam-se cumprimentados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-4071999767365898046?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/4071999767365898046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=4071999767365898046&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/4071999767365898046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/4071999767365898046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/11/ausencia-presenca.html' title='Ausência, Presença.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-2780297008627181921</id><published>2010-05-10T15:23:00.002-03:00</published><updated>2010-05-13T00:50:02.653-03:00</updated><title type='text'>Texto no Digestivo Cultural</title><content type='html'>Helênicos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto intitulado “Lady Gaga, uma aula do pastiche” foi publicado no site do Digestivo Cultural. Em essência é o mesmo texto publicado neste espaço, mas está ilustrado de modo melhor e traz um link para o vídeo. Aproveitem para conhecer o site. O link para o texto é: &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2985&amp;amp;titulo=Lady_Gaga,_uma_aula_do_pastiche"&gt;http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2985&amp;amp;titulo=Lady_Gaga,_uma_aula_do_pastiche&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, quando não estou elucubrando sobre problemas metafísicos, estou a escrever sobre questões frugais, quando não estou pensando em categorias, estou categorizando o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintam-se cumprimentados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-2780297008627181921?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/2780297008627181921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=2780297008627181921&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2780297008627181921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2780297008627181921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/05/texto-no-igestivo-cultural.html' title='Texto no Digestivo Cultural'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-5841491112480058417</id><published>2010-03-18T13:53:00.007-03:00</published><updated>2010-03-19T19:27:04.571-03:00</updated><title type='text'>Lady Gaga, uma aula do pastiche</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S6JfP4YousI/AAAAAAAAAGc/my_uOkCgJbw/s1600-h/lady-gaga-telephone-120310.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450023225510116034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S6JfP4YousI/AAAAAAAAAGc/my_uOkCgJbw/s320/lady-gaga-telephone-120310.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Cara, esse clipe é, tipo, o máximo”, diz a menina da MTV se referindo ao clipe “Telephone”, lançado recentemente, com Lady Gaga e Beyoncé e com a direção de Jonas Åkerlund. O videoclipe é um dos símbolos da contemporaneidade. Usa uma narrativa que nem sempre quer contar uma história coerente, muitas vezes sequências e cortes rapidíssimos e a imagem é predominantemente apenas imagem, sem precisar explicitar o que se mostra, o que surge, e nem lançar algum tipo de lição que precisa ser apreendida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na televisão, uma matéria lançava uma pergunta a algumas “personalidades” sobre “os dez motivos para gostar de Lady Gaga”. Todos falavam de inovação, criatividade, estilo, choque. Parte considerável, para não dizer dominante, da cultura contemporânea julga que alguns figurinos extravagantes, entrevistas chocantes e provocação feminista são suficientes para valorizar algo, uma cantora, um produto. A rigor (e com muito rigor), Lady Gaga não revoluciona nada na cultura, muito menos na cultura pop. Mas a cultura pop é o reino das referências, do reconhecível, de uma estética repetitiva que parece inovar. O &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt; é, e sempre foi, um reaproveitamento de culturas e formas anteriores, mas diferentemente, daquilo que se pode tomar como cultura “séria” (Adorno), esse reaproveitamento não propõe algo crítico, ou que pretenda mudar a estética vigente; diferentemente da &lt;em&gt;avant garde&lt;/em&gt;, o pop apresenta o novo sem inovar, coloca novas vestes no mesmo corpo, canta sem ter voz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das características dessa estética contemporânea é o pastiche, as referências a conteúdos anteriores, uma imitação que copia o que já fora realizado. Essa referência não critica o anterior, não cria estilos autênticos (como certa estética modernista se propunha), e sim reaproveita a forma e o imaginário que já fora formado sobre esses elementos estéticos para ser reconhecível, digerível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso, que Frederic Jameson já definiria como a estética predominantemente pós-moderna, assumiu características que refletem muito o juízo estético contemporâneo. Logo que o vídeo-clipe da cantora foi lançado, começou a surgir uma quantidade gigantesca de elogios nos mais variados meios. Para muitos, “Telephone é o clipe do ano", “uma aula de cultura pop”, “exemplo de imaginação e criatividade”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O vídeo de “Telephone” é repleto desses elementos “inovadores”. O videoclipe se inicia com Lady Gaga em um tipo de prisão que mais parece um prostíbulo. Após dançar um pouquinho, a cantora sai da prisão (sic) e é apanhada por Beyoncé em uma caminhonete colorida (tudo é muito colorido no vídeo). Travam um diálogo (inútil) e então as duas seguem em direção a uma lanchonete onde envenenam todos os clientes, a começar por um &lt;em&gt;bad boy&lt;/em&gt; que parece um &lt;em&gt;gansgsta rap&lt;/em&gt;. Nesse trajeto, elas fazem coreografias, trocam de roupa pelo menos seis vezes e, vez por outra, cantam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Figurinos extravagantes (Lady Gaga chega a usar óculos feitos de cigarros esfumaçantes e um tipo de chapéu feito de telefones), carro em alta velocidade, mulheres assassinas e uma narrativa, que é um pastiche de Quentin Tarantino, seguem dando o tom da “inovação”. A sexualidade, como temática central, fecha o círculo “revolucionário” dessa estética contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode parecer surpreendente, mas não acredito na visão apocalíptica (U. Eco) de que a cultura tenha tido sempre objetivos edificantes e que necessariamente tenha sido esclarecedora. Essa visão, de certa forma romântica e aristocrata, não representa a enorme quantidade de espetáculo &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt; que já existiu. A questão é que essa cultura contemporânea tem um alcance maior, mais eficiente e mais persuasivo. O jovem da MTV não está em busca de um visão esclarecedora da vida; a vida já lhe deve parecer complexa demais (para alguns, lembrar de tomar banho já é complexo demais). Talvez a virtualidade de uma cultura que lhe pareça sempre nova seja mais interessante. É facilmente assimilável, é propositalmente gratuito, parece realmente interessante e estranhamente inovador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lady Gaga quer chocar, mas quase nada mais choca nesse mundo sem privacidade; quer ser diferente, mas quase tudo é pastiche. O &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt; precisa de uma nova Madonna que não pareça uma ninfeta pomba-lesa (Britney), nem apenas uma cantora de &lt;em&gt;R&amp;amp;B&lt;/em&gt; que acompanha &lt;em&gt;rappers&lt;/em&gt; negros vestidos de branco. Procura-se uma mistura de &lt;em&gt;fashion kitsch&lt;/em&gt; com atitude &lt;em&gt;girl power&lt;/em&gt;; procura-se uma mistura de personalidade desafiante com músicas desafiadoras. Mas Lady Gaga não desafia nada, apenas reforça a artificialidade do &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;. Travestindo-se de novidade, quer impactar; reaproveitando o que já existe, se apresenta como diferente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Telephone” está perfeitamente de acordo com esse espírito. È uma aula do &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, é um ensinamento do pastiche. Julgamos ser um produto excelente porque repleto de referências à cultura &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt; e que nós, com nosso imaginário repleto dessas formas, reconhecemos imediatamente e, por essa identificação, atribuímos qualidade. Para nós contemporâneos, o original é a repetição, a criatividade é a citação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em uma das seqüências do vídeo, Lady Gaga prepara o veneno que matará os clientes da lanchonete. Como um mago, ela faz uma mistura de vários produtos para que o líquido obtenha o efeito desejado. A cultura pop é bem menos complexa. Basta pegar uma loura que dance, se vista como um carro alegórico e pareça ter alguma atitude que a fórmula está pronta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bebamos a nossa porção repleta de novidade. “Tipo, é o máximo” que nos resta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-5841491112480058417?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/5841491112480058417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=5841491112480058417&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5841491112480058417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5841491112480058417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/03/lady-gaga-uma-aula-do-pastiche.html' title='Lady Gaga, uma aula do pastiche'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S6JfP4YousI/AAAAAAAAAGc/my_uOkCgJbw/s72-c/lady-gaga-telephone-120310.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-568843895724590749</id><published>2010-03-12T17:29:00.004-03:00</published><updated>2010-03-12T21:52:56.676-03:00</updated><title type='text'>O prazer de expor idéias, ou jornalismo e democracia.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S5qmBjv9EcI/AAAAAAAAAGU/LC4FOwP6zTE/s1600-h/1950_52_kooning_woman1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 243px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447849244964491714" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S5qmBjv9EcI/AAAAAAAAAGU/LC4FOwP6zTE/s320/1950_52_kooning_woman1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certa vez, no programa manhattan conexion, Lucas Mendes pediu a Paulo Francis que falasse sobre o pintor norte-americano de origem holandesa, o abstracionista Willem De Kooning (ver aqui &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zZ0iG7iLRno&amp;amp;feature=related"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=zZ0iG7iLRno&amp;amp;feature=related&lt;/a&gt;, se quiser economizar tempo, vá para 3’:15”). Francis tinha dois minutos. Sem olhar nem um papel, falou sobre a arte do renomado pintor. Francis ensinou. Ao final, Lucas Mendes pegou no braço de Francis e disse: “muito obrigado”. Rememoro esse episódio porque umas das poucas alegrias de um intelectual é ser reconhecido, não apenas pelos seus pares com a benção sempre lisonjeira – e quase sempre falsa - dos acólitos. É uma das poucas alegrias que tenho como alguém que tenta transmitir algum conhecimento. Uma espécie de De Kooning realista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa manifestação sincera e que não antevê nenhum tipo de benefício é coisa rara “em tempos sombrios” - para glosar o título de Hannah Arendt. Rara porque se alguém se arvora a falar sobre algo que o outro discorda - e, com argumentos, mostra outra visão possível -, o discordante tende a usar os antolhos de sua sabedoria e se fecha na sua ensimesmada forma de pensar. Assim é quando se fala de arte (ainda se fala de arte?), assim é quando se fala de jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma de minhas recentes explanações, falava sobre a relação entre democracia e jornalismo. Como o tema sempre é tomado pelo viés do “o jornal é a voz do patrão” e, como sempre, tendo a divergir do que se apresenta como lugar comum e é impregnado por ideologia rasteira e pouco crítica, apresentei outras idéias que fogem dessa simplificação tão prejudicial para a compreensão tanto do papel da imprensa, como das garantias da sociedade democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse que os interesses comerciais não possam interferir na linha editorial da imprensa – e em uma região como a amazônica isso é ainda muito presente -, mas disse que outros fatores interferem, como o custo, as ideologias dos jornalistas, o tempo e o consenso social. Expliquei isso e falei como a democracia está diretamente relacionada à idéia de objetividade jornalística (questionável em muitos aspectos), um dos pilares de uma sociedade democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade democrática é visceralmente influenciada pela relação, necessariamente próxima, mas não reflexiva, no sentido de reflexo (exatamente porque o jornalismo é um discurso, uma construção simbólica sobre a realidade), entre o relato e o fato, o relato e o compromisso se não com a “verdade”, certamente com uma aproximação necessária da verdade. Daí deriva, ou deveria derivar, a credibilidade do relato jornalístico e, por conseguinte, do jornalista. Alguns editores não acreditam mais nisso, preferem acreditar na menina bonita que apresenta o jornal, ou no jornalista que gosta de futebol e demonstra isso com todos os clichês do jornalismo esportivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, vários fatores interferem nessa ausência de princípios democráticos e da tentativa de cerceamento da atividade jornalística. Em especial, uma ideologia política que quer assumir a consciência pela conscientização. Ideologia que é adepta do pensamento de que seus ideais são os bons ideais e de que, se há crítica por parte da imprensa, é porque a imprensa ou é golpista ou não está comprometida com o social, “é a voz do patrão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os adeptos desse modo de pensar, a objetividade jornalística só pode ser vista sob os auspícios de uma idéia de mundo tomada como redentora e edificante, mesmo que essa idéia tenha atentado (e continua) contra a democracia, a liberdade de imprensa e os direitos individuais em vários países. Os que não aderem a essa ideologia são “parciais”, insensíveis ou conservadores. Os progressistas falam em democracia, quando querem o controle da informação; falam em “imparcialidade”, quando querem a parcialidade dos “bons” (deles).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acabar minha fala, os que estavam presentes começaram a sair. Eu, de cabeça baixa, com os cotovelos sobre a mesa, as mãos unidas e os olhos fechados senti uma mão em meu ombro. Abro os olhos e me volto para a responsável pelo gesto. Uma Senhorita elegante (com um bom perfume, bem vestida e voz delicada) então diz: “obrigada professor”; eu perguntei: “pelo quê”; ela respondeu: “pela sua aula”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que, para muitos, isso não é grande coisa e nem eu estou aqui me vangloriando por isso, mas acredito que um dos principais papéis daqueles que expõem idéias é explicitá-las para que o mundo se torne menos opaco e as pessoas menos obtusas – estou pensando, talvez, com um certo iluminismo original. Isso não quer dizer, evidentemente, que o que se diz não possa ser contraditado, a democracia admite a contradição. Isso faz parte de um dos preceitos ideais (idealizados?) do conhecimento; isso faz parte de um dos principais preceitos do jornalismo e de um regime democrático. É preferível a contradição à pena única que se coloca como verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade, a busca de uma maior relação entre conhecimento e realidade se dá, de certa forma, na academia e no jornalismo, de modos semelhantes: buscando a relação entre discurso e realidade; o discurso como intérprete do real, que deve representá-lo buscando tornar o mundo visível de modo verdadeiro e coerente para o indivíduo. Ambos possuem seus métodos. Se um é, digamos, mais detido e rigoroso, o outro deve organizar, com seu rigor, o caos do nosso cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser um ideal, mas não se precisa confundir o ideal com o vazio, como não se deve confundir abstracionismo com ausência de significado. Prefiro um De Kooning que representa as formas sem ser o reflexo da realidade; prefiro um jornalismo que defenda a democracia sem se submeter à obediência de um realismo abstrato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S: Acima, “Woman I”, de De Kooning. A realidade ali não está totalmente ausente, e sim representada através de outras formas. Para o jornalismo, representar o real com objetividade é uma de suas obrigações, apenas assim a democracia pode se tornar um quadro, que pode parecer imperfeito, mas que ajuda a expulsar as formas (sempre sutis) de um realismo (idealismo) totalitário. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-568843895724590749?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/568843895724590749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=568843895724590749&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/568843895724590749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/568843895724590749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/03/o-prazer-de-expor-ideias-ou-jornalismo.html' title='O prazer de expor idéias, ou jornalismo e democracia.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S5qmBjv9EcI/AAAAAAAAAGU/LC4FOwP6zTE/s72-c/1950_52_kooning_woman1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-2254001421332077269</id><published>2010-03-05T14:39:00.007-03:00</published><updated>2010-03-05T22:19:10.722-03:00</updated><title type='text'>Um poltergeist com consciência, ou a resposta à mediocridade.</title><content type='html'>Um leitor envia um comentário que precisa ser, como direi, respondido de modo mais detido. Ele fala de meu trabalho e, como não poderia deixar de ser, tenta lançar uma crítica “ponderada” sobre o texto. Segue, comento em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#330099;"&gt;Caro professor,&lt;br /&gt;Li seu texto. Muito bom!. Penso que se me deu trabalho ler e compreender, muito mais terá dado a você para escrever. Confesso que gostei. E também que estou de acordo com quase todo ele. Gosto até de suas pequenas diabruras e zangas, afinal, legítimas.&lt;br /&gt;Pois bem, tranquilize-se, professor, pois acredito que cada um deve estudar o que quizer. Todavia, não podemos cair no erro de acha que só o que é escrito com nossas mãos é inefável.&lt;br /&gt;Aliás, a universidade encontra-se permanentemente esmagada por figuras de cientistas emproados, incapazes de uma relação menos autoritária. Logo que uma ideia nova surgisse. Ou não existe ideia nova. Se não há. Então, de onde saíram as ideias que formam o corpo teórico de sua famosa obra? Finalmente, queria dizer que estou cansado. Cansado de ver tanta intolerância. Cansado de enxergar tanto autoritarismo disfarsado de democracia. Chega de tanta gente boa e genial. Curioso você critica os outros (esse tema é meu). Mas, quase, que inconscientemente (ou não) faz o mesmo (crítica literária esse tema é meu). Mais uma vez. Excelente texto!!! Abs.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Comento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas quando se referem aos meus textos costumam dizer que eles refletem minha personalidade. Se o texto possui um tom mais contundente e não se furta em realizar críticas e nem de apontar os motivos da crítica, eles acham que estou zangado, bravo e – tal como o arquétipo do gênio - carcomido pela incompreensão do mundo e de que por isso perpetro “diabruras” sobre as pessoas, como uma espécie de &lt;em&gt;poltergeist &lt;/em&gt;com consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí me pedem calma. Não é demais? O Sr. Anônimo diz que cada um deve estudar o quiser. Lamento Sr., mas nunca impedi ninguém de estudar nada, nem nunca irei fazê-lo, se o sujeito quer estudar as culturas índígenas na sua intersecção com os parangolés de Hélio Oiticica que o faça, o que eu tenho a ver com isso? O problema é exatamente o contrário meu caro, é que as pessoas não estudam, e se arvoram a se pavonear sobre aquilo que não conhecem e isso sim é, infelizmente, inefável e assaz peremptório (nossa, que palavras cultas!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que a universidade se encontra esmagada por professores pretensiosos (emproados) e autoritários é desconhecer completamente a realidade da universidade brasileira. Os professores sérios e competentes são tomados como autoritários, os “legais”, são tomados como incríveis. O que esmaga a universidade não é a competência que incomoda os incompetentes, é exatamente o contrário. A universidade (generalizo para melhor compreensão) se preocupa, em muitos casos, muito mais em apoiar determinada ideologia do que ensinar, em aderir ao politicamente correto do que respeitar a constituição, ou a fazer política partidária quando deveria estudar a política. Fui claro? Ou quer que eu vá ao quadro magnético?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida em seu comentário, o Sr.Anônimo faz um mistura digna de um poetastro. Fala sobre meu trabalho e perpetra um lamento choroso, vazio e mal escrito. Diz, querendo ser irônico, ser minha obra famosa e adepta de idéias novas. Pergunto: O Sr. já leu alguma obra minha, como sabe que minhas idéias são novas? Ora, está aí uma coisa que não persigo, a fama; talvez a glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Anônimo diz estar “cansado de ver tanta intolerância. Cansado de enxergar tanto autoritarismo disfarsado (sic) de democracia. Chega de tanta gente boa e genial”. Só há um remédio para a democracia, mais democracia, é isso que combate a intolerância, mas se Você confunde democracia com vale-tudo, ou com o desrespeito às leis estabelecidas, aí é o caso de estudar mais um pouquinho; precisamos sempre de “gente boa e genial” que dê um pontapé na vigarice intelectual; quem não gosta disso é vagabundo que vive numa &lt;em&gt;nice&lt;/em&gt;, achando que o medicamento que toma para sua depressão é fruto de um insight do hippie da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um final virtuoso, diz o Sr. Anônimo: “Curioso você critica os outros (esse tema é meu). Mas, quase, que inconscientemente (ou não) faz o mesmo (crítica literária esse tema é meu)”. Que inconsciente que nada, é consciente mesmo! Mas não julgo que a crítica literária seja um tema meu, pelo contrário, existem críticos melhores do que eu, sei reconhecer isso e não bato o pé ou saco um índio do bolso para tentar impor o contrário. Escrevo neste espaço coisas que julgo relevante, sem me furtar a realizar críticas, mas nunca me tomei como dono da verdade - Platão, há 15 anos, já não me deixava -, cito autores, comento ideologias, sempre pensando em chamar as coisas pelo nome, sem cumprimentar a mediocridade e nem me esconder no anonimato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sorry&lt;/em&gt;, Anônimo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-2254001421332077269?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/2254001421332077269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=2254001421332077269&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2254001421332077269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2254001421332077269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/03/um-poltergeist-com-consciencia-ou.html' title='Um poltergeist com consciência, ou a resposta à mediocridade.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-9006866280642603278</id><published>2010-02-23T18:11:00.007-03:00</published><updated>2010-02-26T16:42:10.272-03:00</updated><title type='text'>Wilson Martins e o fim da crítica na contemporaneidade.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S4RGZwYs0YI/AAAAAAAAAGM/hSJFNcuY8yI/s1600-h/wilson.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 183px; DISPLAY: block; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441551658069578114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S4RGZwYs0YI/AAAAAAAAAGM/hSJFNcuY8yI/s320/wilson.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Wilson Martins foi o melhor crítico literário brasileiro. Nenhum crítico dominava tão bem seu objeto como ele. Dominar o objeto significa saber em que medida ele deve ser analisado, através de que argumentos e que perspectivas. Sua crítica literária era direta sem ser simplista, profunda sem ser arrastada, contextualizadora sem se render aos historicismos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheci seu trabalho ainda em 1994 quando entrava para a faculdade. Wilson Martins na faculdade? Não! Nem pensar. Na faculdade despreza-se a crítica literária que não se alinhe a uma ideologia, que não se curva para as “questões sociais”. Martins se lixava para isso, fazia o que muitos professores deveriam fazer: publicava. Eu me lixo para esse sociologismo esquizofrênico. Literatice.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um exemplo: o que dizermos hoje do soneto, do parnasianismo? Ora, que é poesia chata, puramente formal, despreocupada com o social. Foi o que aprendemos nos livros de periodização da literatura. Vejam o que diz Martins a propósito do poeta Geir Campos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma das razões, aliás ridículas, que parecem ter-lhe determinado o ostracismo decretado pelos diretores da opinião é o fato de haver praticado com mão de mestre o soneto de extração clássica. Ora, levados pelos automatismos populares, muitos doutrinadores simplistas lançaram o descrédito sobre essa forma poética, identificando-a, por definição, com o execrado Parnasianismo (confundido, por sua vez, com a poesia de má qualidade). Ora, enquanto técnica poética, o soneto não é inferior, nem superior, a qualquer outra: nas mãos de um poeta autêntico, será boa poesia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os “automatismos populares” são exatamente aqueles que acham que poesia, romance, são papo de comadre ou chilique de amante. Poucos, hoje, podem realizar uma crítica como essa. Crítica é julgamento, não é pitaco, isso quem faz é aquele pessoal que coloca Geir Campos no porão e Caetano Veloso no altar. Ah, esse sim é poeta para eles, pensam que os sonetos de Caetano são ecos da lira de Orfeu. “Enquanto técnica poética” é zero. Mas as universidades enchem seus vestibulares (e graduação) com essas coisas. A idéia é tornar o texto mais próximo do aluno, como se poesia ou romance tivessem a obrigação de retratar o real. Não têm. Ficção é representação e não reflexo. Jogue fora seu Florbela Espanca e compre Mário Faustino.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em uma de suas críticas intitulada “Mitos Literários”, Wilson Martins comenta a mitificação de Oswald de Andrade a partir da década de 1960 pelas chamadas esquerdas artísticas (sic) e o multiculturalismo contemporâneo. Cito sua apreciação objetiva e clara, apenas para atestarmos como uma opinião como esta seria assimilada por “intelectuais sociais”:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O paradoxo está em que a estratégia dos intelectuais latino-americanos em sua grande maioria, ao sustentar a própria singularidade, cria, precisamente, o gueto que pretendem eliminar. É, aliás, o que ocorre com o multiculturalismo, que, reivindicando autonomias minoritárias, encerra-se ainda mais nas respectivas excentricidades.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já imagino os híbridos com o dedo em riste, uma foto de Nestor Canclini na camisa e um cocar na cabeça gritando: “Quem esse velhote conservador pensa que é? [ira] Ele não tem competência para falar de multiculturalismo! Esse tema é meu! Meu!!! [choro contido]”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse tipo de opinião ajuda a explicar porque da ausência de Martins dos grandes jornais nos últimos anos. Ela é apenas um sintoma de uma sociedade na qual a crítica deixou de ser algo que contribua para apreciar a arte, a vida em geral. Não é apenas que as pessoas não se interessem mais por isso, é a repugnância por qualquer tipo de apreciação que não se alinhe com certas ideologias, nossa rica forma de viver. O eu, cada vez mais, não pode ser maculado pela opinião contrária. A literatura, a arte, só vigora se obedecer a cânones da estética politicamente correta. Conhecem Sebastião Salgado?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Experimente criticar um conhecido. Ele se tornará um inimigo a mais e lhe jogará no limbo de seu (dele) recalque. Se isso, na arte, era parte do processo cultural; na vida, é a garantia do ostracismo. Afagam-se os textos dos amigos; dos não alinhados, mesmo sendo excelentes, não merecem nenhuma apreciação verdadeira. Tente ir contra a idéia dominante e redentora e sua reputação será jogada na vala comum. Por isso é muito mais cômodo se alinhar. A expressão é: “ser político”, ou seja: “não critique”. O fim da crítica literária é apenas um sintoma da ausência de um comentário como possibilidade de revisão, ou (re)conhecimento. Ignora-se, desiste-se, abandona-se aquilo que desagrada; na sociedade na qual o agradar e o hedonismo são as leis. Comentar é interromper, é reconduzir, mas não se precisa de ninguém que acredite em uma possibilidade dessas, prefere-se mergulhar no que se reflete.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se admite que nossa imagem possa ser comentada, por que você, afinal, sendo escritor ou não, é avesso a interromper sua progressiva forma de apreciar sua própria avaliação (seu eu inseguro). Wilson Martins não refletia os alinhamentos que obrigam a se comportar como autômato, sua crítica era dedicada ao seu objeto e não propaganda travestida de opinião.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seu livro sobre o Modernismo, Martins diz sobre “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, de Mário Andrade, que ele intentava representar exatamente o oposto, o caráter nacional. Eu digo que o fim da crítica na contemporaneidade é algo assim como Macunaíma, que se mostra, mas que não entendemos e levamos como gracejo, inofensivo e picaresco, como só o nosso caráter pode levar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em paz, Mestre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-9006866280642603278?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/9006866280642603278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=9006866280642603278&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/9006866280642603278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/9006866280642603278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2010/02/wilson-martins-o-fim-da-critica-em-uma.html' title='Wilson Martins e o fim da crítica na contemporaneidade.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/S4RGZwYs0YI/AAAAAAAAAGM/hSJFNcuY8yI/s72-c/wilson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-3364186420417306161</id><published>2009-08-10T13:50:00.001-03:00</published><updated>2010-04-17T20:05:02.210-03:00</updated><title type='text'>Tirésias está morto, ou o fim de uma experiência.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SoBRPgBdi2I/AAAAAAAAAGE/wNiRTbaq9dg/s1600-h/tiresias+e+odisseu.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368380082561583970" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SoBRPgBdi2I/AAAAAAAAAGE/wNiRTbaq9dg/s320/tiresias+e+odisseu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem é aquele que anda lentamente e senta em frente de sua casa para ver o tempo passar? É Tirésias? Tirésias não está morto? Quem foi Tirésias? Ele é o velho adivinho cego que confirma as previsões do oráculo sobre o destino de Édipo. O rei de Tebas ignora o ancião, a tragédia se impõe sobre o filho e esposo de Jocasta. Filhos que somos de Édipo, herdamos dele a incredulidade sobre aquilo que nos desagrada. A velhice nos desagrada, a toleramos como toleramos uma tragédia inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhem para as ruas, tentem perceber quantos velhos (antigamente velho era ter mais de 40) exibem seus cabelos encanecidos (aprendi com Machado). A sociedade contemporânea baniu de nossos olhos a idéia de que a velhice simboliza experiência, sabedoria, conhecimento. Pensamos sempre nela como algo aterrador. Ouvir os mais velhos parece algo angustiante, porque precisa-se ir à academia exercitar a idéia de não envelhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desvalorização dessa experiência já fora identificada por Walter Benjamin em &lt;em&gt;Experiência e pobreza&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Em nossos livros de leitura havia a parábola de um velho que no momento da morte revela aos seus filhos a existência de um tesouro enterrado em seus vinhedos. Os filhos cavam, mas não descobrem qualquer vestígio do tesouro. Com a chegada do outono, as vinhas produzem mais que qualquer outra na região. Só então compreenderam que o pai lhes havia transmitido uma experiência: a felicidade não está no ouro, mas no trabalho”&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ouro de hoje deixou de ter na experiência (Erfahrung) dos mais velhos um caminho para ser melhor, a felicidade está no imediatismo da televisão, no tamanho do carro, no imprescindível ansiolítico. Cava-se um destino que se esvai, do qual nada se colhe. As vinhas nada produzem para próxima estação, não se quer a próxima estação, adia-se porque se imagina improdutiva, sedentos pela eterna juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés de representar a maturidade, os velhos representam a decrepitude, ao invés de ser um estágio de uma vida é só, e somente só, o seu fim. A vivência (Erlebnis) transitória obriga uma intensa vivência e viver em um presente perpétuo prescinde do passado, da história, da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado é visto como ruína que nada ensina, que não se pode juntar os cacos, que nada servem, inúteis fragmentos de uma vida que passou. Passamos pelas ruínas e não as reconhecemos. Olhamos para os rostos dos mais velhos como rostos arruinados, escutamos suas histórias como algo distante, distante que estamos de uma experiência que para nós não faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirésias é o portador de uma experiência que narra o destino, o futuro, mesmo que sejam trágicos. Tirésias é cego, mas somos nós que fechamos os olhos para o que ele diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é aquele que anda lentamente e senta em frente de sua casa para ver o tempo passar? É Tirésias? Não. Tirésias está morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps. Acima, Tirésias aconselhando Ulisses. Ulisses escuta, mas Ulisses, ao contrário de nós, é um homem exemplar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas. 7ed. São Paulo: Brasilense, 1994, p. 114.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-3364186420417306161?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/3364186420417306161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=3364186420417306161&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/3364186420417306161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/3364186420417306161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2009/08/tiresias-esta-morto-ou-o-fim-de-uma.html' title='Tirésias está morto, ou o fim de uma experiência.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SoBRPgBdi2I/AAAAAAAAAGE/wNiRTbaq9dg/s72-c/tiresias+e+odisseu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-1064720533567448832</id><published>2009-06-22T22:16:00.000-03:00</published><updated>2009-06-22T22:19:59.151-03:00</updated><title type='text'>Tenho uma comunidade no orkut, ou simulacros e (dis)simulações.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SkAteKkIztI/AAAAAAAAAF8/EexF6Sm2V1I/s1600-h/blade.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350326353571401426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 307px; CURSOR: hand; HEIGHT: 303px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SkAteKkIztI/AAAAAAAAAF8/EexF6Sm2V1I/s320/blade.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho uma comunidade no orkut. Qualquer vagabundo tem. Hoje, me envia um amigo, ela tem pouco mais de 20 membros e sua descrição é esta: “comunidade dedicada aos admiradores do professor mais bêbado-chato-irônico-sarcástico-rancoroso-detestável-antipático, porém amado por todos: Relivaldo de Oliveira”. Está errado. Não sou bêbado (tento, é verdade, sempre que posso) e muito menos amado por todos (não tento, é verdade, sempre que posso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo me diz que vários professores têm comunidades feitas por outrem e de que é uma forma de homenagem. Huumm... sei.. Estou me tornando um pop star. Sou a Britney má da floresta. Isso é bom? Não sei. Temo ficar careca e abandonar minhas criancinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho criticando, neste espaço, esse tipo de exposição. Mas não há como controlar o sadismo web, o masoquismo cibernético, o rancor &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; do amante desprezado, ou uma declaração de admiradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha comunidade possui alguns textos e frases atribuídas a mim. Assumo-as. Um dos personagens criticado toda vez que nos encontramos me lança o olhar de raiva. Tadinho. Se fosse me importar com quem me odeia não faria outra coisa. Como Flaubert, acredito que o valor de um homem pode ser medido pelo número de inimigos que possui e pelo o que ele provoca de oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma defesa recente de um trabalho, um professor de filosofia amigo meu tocou nessa questão contemporânea: “Vocês já pensaram por que no orkut as meninas não são deprimidas, são todas amigas e gostam de ler?” É simples, como ele mesmo argumentou, porque no espaço virtual o que prevalece é a imagem, o imaginário, o simulacro (Baudrillard, Jameson).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esquizofrenia da vida contemporânea a imagem da menina reflete os adormecidos recalques de sujeitos fragmentados (Freud diria reprimidos). A menina quer ser popular, bonita e inteligente, mesmo tendo a beleza da maquiagem, a popularidade de um ditador e a inteligência de um &lt;em&gt;basset&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma reunião de amigos quando alguém estranho (só os estranhos fazem isso) aponta a câmera digital parece que vai capturar algo que quero que permaneça lá (Benjamin diria aura). Se digo não, ficam bravos. Não ligo, um miguxo a menos. Click!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter 20 amigos e dizer que sou amado por todos não reflete minha vida real. Mas quem se importa com a vida real? A pós-modernidade nos legou a vida ideal, mesmo sendo simulacional. Todos querem essa vida. Qualquer vagabundo pode tê-la.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;P.s: A imagem acima é do Filme &lt;em&gt;Blade Runner&lt;/em&gt;, de Ridley Scott, 1982. No mundo do filme já não se sabe distinguir imagem da cópia, humanos de replicantes. “Admirável mundo novo”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-1064720533567448832?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/1064720533567448832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=1064720533567448832&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1064720533567448832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1064720533567448832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2009/06/tenho-uma-comunidade-no-orkut-ou.html' title='Tenho uma comunidade no orkut, ou simulacros e (dis)simulações.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SkAteKkIztI/AAAAAAAAAF8/EexF6Sm2V1I/s72-c/blade.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-6198420277854832748</id><published>2009-02-11T04:27:00.000-03:00</published><updated>2009-02-11T04:57:10.925-03:00</updated><title type='text'>O que pode parecer particular é geral.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SZKCTZQi9XI/AAAAAAAAAEw/4zTlQIehH-w/s1600-h/klee+rising+sun.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301442981077906802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SZKCTZQi9XI/AAAAAAAAAEw/4zTlQIehH-w/s320/klee+rising+sun.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Romanos!&lt;br /&gt;Como Vocês devem ter percebido este blog não possui um critério de atualidade. Os textos seguem temáticas que, de alguma forma, devem permanecer por algum tempo. Já disse que, como Mário Faustino, não penso que tudo que escrevemos deve se tornar eterno. A eternidade é para transcendentais. O máximo de transcendência em que acredito aprendi na escola, quando um dia coloquei uma semente no algodão e, no outro, ela não estava mais lá. Sumiu. Irmã Osmarina, minha professora, disse que “ela se metamorfoseou, transcendeu”. Platão deve ter dado de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blog também não tem como tema &lt;em&gt;my life&lt;/em&gt;. Não falo de minhas aventuras pelas ruas, nem o que vou ou não vou fazer nos próximos dias. Isso não interessa a ninguém, a não ser a mim mesmo. Não penso que Vocês sejam padres a ouvirem minhas confissões. Aqui, até mesmo o que pode parecer particular, é geral, o que pode parecer uma frase é uma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenham certeza. Sempre o que escrevo é o que penso. Muitos podem fazer isso na web. No fundo, a maioria, nada nos ensina ou nos faz pensar. &lt;em&gt;Bric-à-brac&lt;/em&gt; de gente que quer se sentir presente em um mundo no qual isso é cada  vez mais difícil. Mas o que temos com isso? Temos essa montanha de futilidades de vidas vazias, que buscam sentidos e para isso nos enchem a paciência, como a moça que escreve que perdeu 20 quilos em dois meses, ou alguém que discorre sobre as divagações etílicas da noite anterior. Algumas podem ser até engraçadas. Prefiro Monty Phyton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só escrevo sobre o que sei. Não tolero o que é &lt;em&gt;fake&lt;/em&gt;, vazio, vulgar. No mundo de hoje é quase decretar suicídio. Mas meu niilismo não é tolo. Sinceramente, gostaria de acreditar em mais coisas, como as pessoas que dizem: “bom, agora vou comer, ir pra cama, ver tv e dormir”. Nossa! Como isso é telúrico. Não sou infeliz, mas uma certa rotina me enfada, além de ir ao supermercado (para determinadas pessoas isso é um evento). Não vejo plenitude no tomate (“vejam que tomate essencial, iluminado, e esta beterraba hein! Que jogo de cores!”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que todos temos nossas frivolidades e obrigações cotidianas, mas daí a elas se tornarem públicas e exemplares, é a distância que existe entre o seu desjejum e o café da manhã descrito por Proust em Combray. Sua &lt;em&gt;madeleine&lt;/em&gt;, no máximo, é um pão mole perto do talento do escritor francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a estes temas para dizer, aos leitores (que são poucos, imagino, dentre outras coisas, exatamente pelo motivos expostos acima) deste blog, que não sei como ele andará agora. Fui convidado para exercer um importante cargo na Universidade onde trabalho. Aceitei. A covardia não é um dos males que me assola. Os covardes, além de um certo desprezo, me provocam risos. São como Carlitos, como disse André Bazin, porque não se enquadram no mundo e vivem correndo da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informarei sobre as atualizações deste espaço. Espero continuar a ter o privilégio de ter poucos, mas admiráveis leitores. Mesmo que tenha que escrever um texto tão pessoal quanto este. Quem quiser que continue lendo. Ou ignore e transcenda. Irmã Osmarina ficaria orgulhosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;P.S: A tela acima chama-se &lt;em&gt;Rising sun&lt;/em&gt;. É de Paul Klee, Pintor Suíço que acreditava que “a arte não reproduz o visível, mas torna visível”. Penso da mesma forma em relação`a cultura, à escrita, a este texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-6198420277854832748?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/6198420277854832748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=6198420277854832748&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/6198420277854832748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/6198420277854832748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2009/02/o-que-pode-parecer-particular-e-geral.html' title='O que pode parecer particular é geral.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SZKCTZQi9XI/AAAAAAAAAEw/4zTlQIehH-w/s72-c/klee+rising+sun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-1376276856201162063</id><published>2009-01-13T22:19:00.000-03:00</published><updated>2009-01-14T06:22:18.076-03:00</updated><title type='text'>Um jornalismo torto.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SW0_S-yIY-I/AAAAAAAAAEk/Bs6L1Iz_AAc/s1600-h/joranlismo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290954732553659362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SW0_S-yIY-I/AAAAAAAAAEk/Bs6L1Iz_AAc/s320/joranlismo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por que o jornalismo na Amazônia não vê a Amazônia? Já procurei várias respostas. Pensei na idiotia dos que o fazem, pensei na lógica do mercado, pensei em me culpar como professor (mas não sou tão cristão assim), pensei até em culpar, sei lá, o curupira, aquele moleque que anda com os pés invertidos, confundindo as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse jornalismo é adepto dessa prática. Anda em direção contrária da realidade. Não falo das variedades (“pingo rouba tia e mata avó”). Falo de desconsiderar completamente as múltiplas faces da região. Seja no âmbito rural ou urbano, para quem conhece minimamente a região, percebe que parece que se fala de outro mundo. Há exceções claro. São tão incipientes que desmoralizam qualquer defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina aparece na tv falando sobre uma manifestação religiosa: voz de criança, ritmo Tom e Jerry, texto com um personagem que acompanha o ritual há 15 anos. O garoto fala de esporte: sonora com o atleta, imagens do treino ou jogo, passagem final com três frases (“destacou o jogador”). No supermercado, o aumento de preços, na avenida uma enquête, resposta: “é um absurdo!”. Certo dia, soube que uma repórter fez uma matéria sobre a falta de higiene na feira do Ver-o-Peso em Belém do Pará. Revolta. Dizem que sofreu ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Covões da Amazônia desconhecem direitos básicos como água potável, a professorinha, o “dotô”. Os burocratas negam, dissimulam. O jornalismo ignora, pressionado pelo caixa dos anúncios estatais e pela ignomínia de mascates da profissão. &lt;em&gt;News&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;Nothing&lt;/em&gt;. A região que precisa unir informação e ciência, não possui um caderno sequer voltado para esses temas. O futebol e o açougue do dia-a-dia dos jornais são mais importantes. Ciência é coisa de intelectual. Curioso, antigamente se achava de alguma forma que jornalista era intelectual. Pergunte a um jovem repórter quem foi Eidorfe Moreira (R: “jogador?”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A profissão já teve Voltaire, Zola, Capote. Ainda resiste gente como um Ruy Castro ou um Millôr Fernandes e alguns mais que não enchem uma mão. Romantismo? Em parte sim. Mas certo romantismo serve para isso, para não contemplarmos a realidade “a sangue frio”. Conheço amigos que seriam brilhantes nos jornais. Poucos passam dos cinco anos, saem destroçados pela mediocridade e picuinhas das redações. Quando o princípio de realidade se impõe a desilusão é inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cidades continuam a receber nordestinos e caboclos que necessitam de uma certa ilusão. Novos núcleos urbanos surgem, novas culturas, formas de relação com o novo ambiente (é o que falam cientistas sociais). Mas o jornalismo continua a enfocar esses espaços como se fossem um mundo a parte, degradados pela realidade, pobres diabos incivilizados. Porque civilizados são os que moram do outro lado, aqueles dos bares que fecham as ruas, que mandam a namorada bater os pés antes de entrar no carro, que falam como se os outros fossem surdos (um amigo foi à Europa e disse ser fácil identificar um paraense no avião, perguntei como, disse: “são aqueles de quem ouvimos todas as conversas durante a viagem”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miséria da realidade amazônica em parte pode ser explicada por isso. O jornalismo que nascera como bem público, uma proposta de esclarecimento, na região, se converte em uma atividade invertida. O menino dos pés tortos engana os outros para proteger a floresta. O jornalismo na Amazônia volta as costas para a realidade que deveria representar.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-1376276856201162063?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/1376276856201162063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=1376276856201162063&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1376276856201162063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1376276856201162063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2009/01/um-jornalismo-torto.html' title='Um jornalismo torto.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SW0_S-yIY-I/AAAAAAAAAEk/Bs6L1Iz_AAc/s72-c/joranlismo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-1283814226797100141</id><published>2009-01-02T20:50:00.001-03:00</published><updated>2009-01-03T14:57:04.641-03:00</updated><title type='text'>Red Clay, 12':12".</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV6oXF6BQ9I/AAAAAAAAAEc/w_HjEMIXsUg/s1600-h/Trumpeter-Freddie-Hubbard-002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286848127255528402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 192px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV6oXF6BQ9I/AAAAAAAAAEc/w_HjEMIXsUg/s320/Trumpeter-Freddie-Hubbard-002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Aconselho qualquer jovem trompetista a não fazer o que eu fiz, porque este estilo pode ser prejudicial à saúde". Recomendou, provavelmente ironicamente, aos futuros músicos, Freddie Hubbard, o trompetista morto no penúltimo dia de 2008. Recomendo exatamente o contrário. Explico. Antes, um breve divagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Hubbard estreou, no final da década de 50, o jazz já era um ritmo disseminado nos Estados Unidos, algumas das principais correntes, swing, bebop, cool, já haviam surgido e era a vez de um estilo que fizesse um contraponto ao establishment de Miles Davis, aproveitasse outras influências como o funky e o gospel e reagisse ao surgimento do Rock ‘n’ roll. Daí surgiria o hardbop, personificado no grupo Jazz Messengers, criado pelo baterista Art Blakey. Um estilo que traria em suas composições andamentos diferenciados, um pouco mais rápidos e intensos que o bebop, mas, em muitos casos, mais simples que os acordes de Charlie Parker e valorizava a presença de solistas como o baixista Charles Mingus com o seu “The black saint and the sinner lady”, o indomável pianista Thelonious Monk e principalmente John Coltrane com o cultuado “Giant steps”. Basta ouvirmos esse último, para termos uma noção de como o jazz modal poderia chegar ao status de uma polifonia agradável, assimilável e renovadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hubbard tocou por quatro anos com Blakey e já demonstrava que seu estilo comedido, temático e ao mesmo tempo expansivo e variável, “exuberante” nas palavras de Winton Marsalis, conquistaria vários seguidores. Suas gravações com o pianista Herbie Hancock, em especial em “Empyream Isles”, confirmaram ainda mais a idéia de que surgira mais um músico que faria jus ao panteão que lhe havia precedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 70 o trompetista gravaria seus principais álbuns solo. Em um deles está a música que batiza o mesmo, “Red clay”. É com “Red clay” que podemos entender o estilo a que se refere Hubbard no início deste texto. No disco, há duas versões e elas servem exatamente para compreendermos como o jazz foi, em variados momentos, o único estilo musical capaz de valorizar a música como artefato de valor imanente, contemplativo e não apenas como reconhecimento e compensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira versão da música é a de estúdio. Andamento mais lento, tema conduzido perfeitamente com uma introdução forte de metais e bateria (Lenny White), uma exposição temática e um desenvolvimento com uma seção rítmica que segue em conjunto com o “chórus” e solos dos músicos (nada menos que Herbie Hancock, Ron Carter, baixo e Joe Henderson, sax tenor) até à recapitulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda versão é ao vivo. Com 18 minutos, sete a mais do que a primeira, foi uma imposição da gravadora e, ironicamente, se tornou um dos melhores exemplos da capacidade do jazz em se diferenciar da repetição musical e de como o tocar ao vivo proporciona a essa música possibilidades inauditas em outros estilos que, tecnicamente frágeis, não têm muito o que fazer diante da platéia. A música ganha em intensidade e virtuosismo, principalmente pela participação de George Benson na guitarra e pelas variações melódicas do próprio Hubbard. Cada músico executa seu improviso, mas ao contrário da primeira versão, várias notas se modificam e em alguns casos a melodia é bastante diferente da versão anterior, em especial no sax de Stanley Turrentine e na participação vigorosa da bateria de Billy Cobham que, aos 12':12", parece explodir o bumbo anunciando o clímax final. E, ao final, com seu trompete, Freddie Hubbard nos diz: “this is my style”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já escutei "Red clay" dezenas de vezes. É um clichê, sei, mas sempre identifico algo novo e sempre sinto algo diferente em relação à música. Se você gosta de algo mais reconhecível (ah a metáfora do espelho!), vá escutar algo como Kenny G, o eterno retorno do nada, ou o resto da covarde vulgata musical, essas músicas de 15 anos (frase cunhada por um amigo), idade muito acima da idade mental dos tigres das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo aos jovens que sigam o estilo de Hubbard. É original sem ser pedante, é renovador sem ser impenetrável, é assimilável sem ser gratuito. Platão (que temia a arte) dizia que a “poiesis” é a verdadeira recriação do mundo através de formas inexistentes, como o escultor faz com a argila; antes disforme, ele, com seu trabalho, engendra uma nova realidade. A argila (clay) de Freddie Hubbard engendra uma nova forma de relação com os sentidos, com nós mesmos, com a realidade, que precisa ter forma, sentido, harmonia, intervalos, variações, estilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-1283814226797100141?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/1283814226797100141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=1283814226797100141&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1283814226797100141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/1283814226797100141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2009/01/red-clay-1212.html' title='Red Clay, 12&apos;:12&quot;.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV6oXF6BQ9I/AAAAAAAAAEc/w_HjEMIXsUg/s72-c/Trumpeter-Freddie-Hubbard-002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-687979960731280070</id><published>2008-12-25T03:40:00.000-03:00</published><updated>2009-01-02T03:44:28.866-03:00</updated><title type='text'>Lampejo idílico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV23iL0HLiI/AAAAAAAAAEM/77At2UxL7yk/s1600-h/venus+2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286583335517629986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 218px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV23iL0HLiI/AAAAAAAAAEM/77At2UxL7yk/s320/venus+2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;11 horas da manhã. É véspera do dia do nascimento do salvador, o calor é tolerável e as coisas estão menos parecidas com este que escreve. Diversidade. Um mundo melhor. Na rua, sacolas. Sacolas empunhando pessoas. Um porteiro (caracterizo as pessoas pelo vocabulário, nunca erro) recebe dois pães e um “refri”, pelo que agradece (brigadu) com um sorriso incompleto. Próximo dali, o flanelinha, com um gorro, guia os carros; o vizinho está na sua luta diária com o vidro da janela do seu monza verde 86 e a barraca que vende tudo vende uma barra de cereal para uma linda jovem com uma pasta de estudante (chamaríamos colegial, mas pode parecer antiquado e, hoje, pornográfico).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Presépios não há mais. Mas há a beleza da jovem que olha distraída para a rua sabendo ser observada. Está com um vestido florido com alças finas - as mulheres não usam mais vestido e por isso mesmo a vejo. O cabelo é moreno liso e, preso por um adereço verde claro, cobre parte do rosto; as mãos levemente abertas tocam a bolsa. Tem em torno de 22 anos, sabe andar. Está sozinha. Um rapaz de boné encara. Boné é coisa da tigrada e a tigrada, Vocês sabem, são aqueles que aspiram àquilo que um dia Sartre chamou de “O ser e o nada”. Mas a jovem não liga. Olha o relógio e caminha para sob uma árvore; o salto baixo sugere discrição, os olhos acima do horizonte, irrelevância pelo que vê.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Movimento para ver melhor, inclina-se, olha novamente o relógio. O vestido adere mais ao seu corpo, permitindo vê-la como talvez Velázques tenha visto a Vênus sobre uma cama enquanto o cupido segura o espelho. Em “Vênus olhando-se no espelho”, o menino mostra à deusa o quanto ela é bela. Cabelos castanhos, com formas realistas, ela parece uma mulher comum. Vemos seu rosto através do espelho, mas a imagem não é nítida. Velázques a retira de sua aura mitológica, humanizando-a. Levaria a jovem da calçada de volta ao quadro, mitificando-a.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A rua-espelho retira parte do encantamento da senhorita, mas não é suficiente para impedir aquilo que Baudelaire chamou de “efêmera beldade”. Se pudesse, atravessaria a rua e diria: “olá, bom dia! O tempo se faz presente através dos dias, do fim de mais um ano, mas pelo momento que fiquei lhe observando, tenho certeza que o novo ano será feliz”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-687979960731280070?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/687979960731280070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=687979960731280070&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/687979960731280070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/687979960731280070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2008/12/lampejo-idlico_24.html' title='Lampejo idílico'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SV23iL0HLiI/AAAAAAAAAEM/77At2UxL7yk/s72-c/venus+2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-353191557865062982</id><published>2008-08-22T11:36:00.000-03:00</published><updated>2008-08-22T14:12:34.394-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Em cartaz:&lt;/strong&gt; Um cineasta, uma cidade, uma época*.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEXWUbCI/AAAAAAAAACw/jilkFTyhGNQ/s1600-h/ramon.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEXWUbCI/AAAAAAAAACw/jilkFTyhGNQ/s1600-h/ramon.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEXWUbCI/AAAAAAAAACw/jilkFTyhGNQ/s1600-h/ramon.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEXWUbCI/AAAAAAAAACw/jilkFTyhGNQ/s1600-h/ramon.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237370412384362578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 363px; TEXT-ALIGN: center" height="353" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7gpCtPoFI/AAAAAAAAADA/vTGsSmlSQz8/s320/ramon.jpg" width="292" border="0" /&gt; &lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Take 1- Plano geral –&lt;/strong&gt; No centro da cidade, as pessoas circulam absortas em seus sentimentos particulares. Sem se absterem das convenções sociais, cumprimentam-se. As águas da Baía rebentam no mercado de ferro, trazidas pela brisa acalentadora. Próximo dali, o bonde elétrico passa e suas cortinas deixam entrever senhores com suas bengalas e senhoras com seus chapéus. No &lt;em&gt;boulevard&lt;/em&gt;, alguém, distraidamente, abre o jornal e lê. Entre as idas e vindas das notícias de Portugal, as viagens, encontros e telegramas do “eminente Dr. Lauro Sodré”, existe, na maior coluna do jornal, uma nota como as que existiam sobre a partida ou chegada de alguém. Estamos no início do século XX, mais precisamente em 1911:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O sr. J. Llopis, conhecido photographo, acaba de incorporar nesta cidade uma companhia que, sob o título ‘The Pará Films’, se propõe a apanhar fitas cinematographicas especialmente de assumptos typicos, do natural.&lt;br /&gt;A nova companhia que servirá para atestar flagrantemente o nosso progresso, contractou o profissional sr, Raymond de Baños para dirigir o ‘atelier’.&lt;br /&gt;‘The Pará Films’ tem, no correio a caixa 73ª.&lt;br /&gt;O sr. Llopis chegou da Europa no vapor alemão ‘Rio Negro’&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A cena é ficcional. A nota não. Estão intimamente ligadas. Belém, no início do século, estava ainda sob os efeitos de um dos seus períodos históricos mais representativos. De 1870 a 1910 a região amazônica foi o palco de uma expansão econômica sem precedentes, baseada na economia gomífera. O enorme fluxo de capital gerado pelo comércio da borracha transformou a realidade social e cultural da região, em especial Belém. A cidade torna-se o local de uma elite que implanta novos hábitos e novas relações. Essa transformação atingiu seu ápice durante a administração do Intendente Municipal Antônio Lemos (1897-1910).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As modificações realizadas pelo Intendente atingiram diversos aspectos do espaço urbano. Foram criadas medidas em relação ao saneamento e à saúde pública, como o Código de Posturas do município, a criação de redes de esgotos e a inauguração de um forno crematório. As mudanças se refletiram também na remodelação estética da cidade. Antonio Lemos empreendeu a construção de monumentos, praças, &lt;em&gt;boulevards&lt;/em&gt;, arborizou e calçou ruas, instalou a iluminação elétrica e os bondes e inaugurou o mercado de ferro do Ver-o-Peso. A Europa era o modelo; a modernidade a ser seguida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É nessa realidade de fausto econômico, iniciada em 1870, que o cinema surge em Belém. Não se pode dizer que surge por ela, talvez apenas podemos afirmar que existia um momento propício para tal. Se em 1895 os irmãos Augusto e Louis Lumière apresentaram ao público em Paris o Cinematographo, em 1896 chegava à Belém o Vitascope de Thomas Edison. Nesse início, predominavam as exibições em locais que não se destinavam exclusivamente à projeção de filmes, como os teatros. &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;2&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Take 2- A chegada –&lt;/strong&gt; Segundo Pedro Veriano, “deve-se ao espanhol Joaquim Llopis os presumíveis primeiros cinemas [locais exclusivos para exibição de filmes] de Belém”. Não por acaso, Llopis era um industrial da borracha e Ramon de Baños viera, em 1911, para supervisionar suas salas e filmar um documentário sobre o processo de fabricação da borracha, principalmente da fábrica de Llopis&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;3&lt;/a&gt;, afinal a nova companhia serviria para “atestar flagrantemente o nosso progresso”. Sobre a chegada de Banõs, Veriano diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O técnico viajou para o Brasil em um navio chamado Rio Negro, partindo de Barcelona para Madrid no dia 31 de agosto de 1911, e em seguida para Lisboa e Belém do Pará. Joaquim Llopis bancava o cicerone, mostrando o cenário amazônico com sua fotogenia de fácil alcance para as objetivas pouco versáteis daquela época (na realidade um caixão com diafragma amarrado de f-8 a f-16, sem chances de captar interiores sem iluminação natural)&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;4&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda em Barcelona, Ramon e seu irmão Ricardo criaram, em 1906, a Hispano Films, um laboratório para fazer e revelar cópias. Tiveram êxito na empreitada e se associaram a Alberto Marro para produzirem seus primeiros curtas-metragens. São desse período, &lt;em&gt;Dos guapos frente a frente &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Don Juan de Serrallonga&lt;/em&gt;, ambos de 1910&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;5&lt;/a&gt;. Ricardo e Ramon estão entre os principais pioneiros do cinema espanhol que também teve um grande crescimento no início do século&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;6&lt;/a&gt;. Um dos aspectos ressaltados na filmografia dos irmãos Baños era a fotografia, a cargo de Ramon.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Take 3- O ambiente –&lt;/strong&gt; Em 1911 Belém contava com vários estabelecimentos que exibiam filmes. Dentre esses estavam o “Bar Paraense”, uma espécie de casa de shows; “Cinema Nazareth”, destinado exclusivamente à exibição de filmes; “Bar americano”, que ficava em Batista Campos e “Cinema Rio Branco”.&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEsIwQrI/AAAAAAAAAC4/3bUiIbfXI6g/s1600-h/cine-barao-do-rio-branco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237366489315558066" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7dEsIwQrI/AAAAAAAAAC4/3bUiIbfXI6g/s320/cine-barao-do-rio-branco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As fitas mais divulgadas eram da fábrica francesa “Pathé”. A inauguração de um dos cinemas do período fora assim anunciada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cinema Alhambra – Começará hoje a funcionar na Praça da República o Cinema Alhambra, Que entre outras fitas d’arte, exhibirá o último Jornal Pathé e a sensacional fita Rival de Richelieu&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;7&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, algumas dessas empresas deslocavam suas exibições para o arraial de Nazaré, a fim de conseguirem mais espectadores. Era o caso do “Cinema Ouvidor”, uma filial de um cinema do Rio de Janeiro, que começou a exibir filmes no Teatro da Paz, transferindo-se durante a festa. Em um de seus anúncios convocava a população a ver as imagens que haviam sido filmadas do círio daquele ano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os temas históricos figuravam como uma das principais atrações. Não apenas o Cardeal Richelieu fazia sucesso. Napoleão também era um dos personagens preferidos, como deixa claro a nota convidativa do jornal sobre o “Cinema Brillant”, que fazia parte da empresa “Bar Paraense”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No cinema Brillant as casas succedem-se, à cunha. O episódio da vida de Napoleão commove e arrebata a platéia que não se cança de rever o emocionante film.&lt;br /&gt;Uma visita ali é de justiça.&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;8&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Take 4- O conflito –&lt;/strong&gt; A cidade, em 1911, era um caldeirão político. Lemos havia renunciado à intendência e Lauro Sodré (ex-governador do Estado e uma das maiores lideranças) seu opositor, chegara à Belém para instruir seus correligionários. Um dos principais jornais da época, a &lt;em&gt;Folha do Norte,&lt;/em&gt; fazia oposição ao ex-Intendente e apoiava enfaticamente a passagem de Sodré. Era o prenúncio dos acontecimentos que culminariam, em 1912, com o incêndio do jornal A&lt;em&gt; Província do Pará&lt;/em&gt;, do qual Lemos fora proprietário, e o derradeiro exílio do Intendente, no Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na filmografia de Ramon de Baños na Amazônia consta um filme curta-metragem sobre esses acontecimentos, denominado &lt;em&gt;Os sucessos de agosto&lt;/em&gt; – importante registro que fora negociado pela filha de Llopis com um exibidor do Maranhão. Existem ainda títulos como &lt;em&gt;Viagem de Lisboa ao Pará&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Cyrio&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Inauguração da linha fluvial Belém-Mosqueiro&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Dia de finados em Santa Isabel&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; A moda em chapéus da Casa Africana&lt;/em&gt; (supomos que se refere à Casa Africana, uma das lojas que abasteciam a elite belenense de artigos importados), &lt;em&gt;Concurso hípico, Batalha das flores, O embarque do eminente Dr. Lauro Sodré&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;9&lt;/a&gt; e outros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Take 5- A partida –&lt;/strong&gt; Baños teve que voltar para a Espanha para se recuperar de uma malária contraída em uma filmagem para o Departamento de Indústria e Comércio pelo interior da Amazônia&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;10&lt;/a&gt;. A economia da borracha estava em colapso. Em outubro, Lemos morria no Rio de Janeiro. As águas continuavam a rebentar no mercado de ferro, a brisa não mais acalentava. Estávamos no início do século, mais precisamente em 1913. O personagem da nota do jornal entrava para a história.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;Texto e imagens publicados em: OLIVEIRA. Relivaldo Pinho de (Org). &lt;em&gt;Cinema na Amazônia&lt;/em&gt;: textos sobre exibição, produção e filmes. Belém: CNPq, 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Folha do Nor&lt;/em&gt;te, Belém, set. 1911.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;2&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; C.f VERIANO, Pedro. &lt;em&gt;Cinema no tucupi&lt;/em&gt;. Belém: SECULT, 1999, p 15.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;3&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Idem, loc. cit&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;4&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Idem, loc. cit.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;5&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; PANTIGA, Ivan. Ricard de Baños (1882-1939). Disponível em: http: //www.gijonmusic.com/cine/ricardeba%Flos.html&lt;http:&gt;. Acesso em: 05. dez. 2003.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;6&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Sobre as informações dos primórdios do cinema espanhol ver este endereço eletrônico:http://www.xtec.es/~xripoll/hcine2.htm &lt;http:&gt;. Acesso em: 05. Dez. 03.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;7&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Folha do Norte, Belém, out. 1911.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;8&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Folha do Norte&lt;/em&gt;, Belém, out. 1911.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;9&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; VERIANO, 1999, p. 15-16.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;10&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Idem&lt;/em&gt;, p. 16.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fontes consultadas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SARGES, Maria de Nazaré. &lt;em&gt;Belém&lt;/em&gt;: Riquezas produzindo a Belle-Époque (1870-1912). Belém: Paka-Tatu, 2000.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ROCQUE , Carlos. &lt;em&gt;Antônio Lemos e sua época&lt;/em&gt;: história política do Pará. 2ª ed. Revista e ampliada. Belém:Cejup, 1996.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SANTOS, Roberto. &lt;em&gt;História econômica da Amazônia&lt;/em&gt; (1800-1920). São Paulo: T. A Queiroz, 1980.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-353191557865062982?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/353191557865062982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=353191557865062982&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/353191557865062982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/353191557865062982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2008/08/em-cartaz-um-cineasta-uma-cidade-uma.html' title=''/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/SK7gpCtPoFI/AAAAAAAAADA/vTGsSmlSQz8/s72-c/ramon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-3562021786665788790</id><published>2008-07-09T16:00:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T13:00:03.796-03:00</updated><title type='text'>A mesma música, ou Ela não é Ella.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_uvW78ptZ2tk/SHUL_pEIf_I/AAAAAAAAACo/dYijXbUi0og/s1600-h/ellafitzgerald.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221092530988810226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_uvW78ptZ2tk/SHUL_pEIf_I/AAAAAAAAACo/dYijXbUi0og/s320/ellafitzgerald.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Conhecidos me questionam permanentemente sobre o porquê de eu discordar (sim é possível fazer isso e explicar o motivo, sem maneirismos idiossincráticos) daquilo que surge como novo na cultura (pop?) e que é incensado pela maioria. Sei que esse não é um debate novo e que já fora delineado pelo conceito de Indústria Cultural. Isso apenas comprova que em muitos aspectos a cultura pouco se modificou. Dessas desilusões reputações são feitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É simples. Para mim a melhor cantora de todos os tempos é Ella Fitzgerald. Há algo parecido? Não há como não partir para a comparação. Não se trata de gosto. Podemos utilizar minimamente uma certa estética para pensar a cultura. Pensemos na proporcionalidade e harmonia. É Ella. Não há uma nota, uma frase, interpretada por Ella que sejam fortuitas, exibicionismo, ou que não se adequem ao conjunto musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ella canta em Montreux, em 1969, “This girl’s in love with You” caminhando lentamente pelo palco enquanto sua voz ecoa em variados tons. Em determinado trecho, a música diz: “my hands are shakin”. Mas as mãos de Ella não mexem. Ela permanece cantando, fechando e abrindo os olhos em uma serenidade apolínea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que certas cantoras de determinado estilo que se julga cult (sic) fariam naquele momento da frase na música? Já vejo a menina olhando para a platéia com o rosto levemente inclinado para baixo, a perna direita levantada, mas ainda no chão, apenas insinuando para que olhem suas mãos disfarçadamente se mexendo, enquanto arregala e revira os olhos. O que há demais nisso? Quem mais se mexe do que canta, não canta nada. Meninas bonitinhas no Brasil agora cantam espalmando as mãos, fazendo caretas, em um misto de Ney Matogrosso com Maria Rita, não sendo nem um nem outro. Apenas diluindo e fazendo coro com determinada platéia que julga ser aquilo interpretação. Se quisesse ver um teatro mambembe iria à praça aos domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia em um clube, um grupo tocava Charlie Parker em uma performance “free”. Admirava a interpretação. A música terminou e sem um motivo compreensível entra uma moça cantando uma música adorada por aquele pessoal que acha o máximo dançar pulando em um pé só, revezando-os. Era “Vamos fugir”. O amigo que me acompanhava comentou: “nunca vi uma variação musical tão grande, vamos fugir!!!” Pedimos a conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada havia de novo no cover da menina, mas havia algo de inovador na versão de Parker. Isso é importante? É. Desavisados costumam confundir pura sensação com qualidade. O fato de uma música que Você gosta ser tocada não a torna melhor, na maioria das vezes é uma repetição mal feita. Mas seus intérpretes são confundidos muitas vezes com bons artistas. Ter coragem e talento para fugir dessa eterna repetição é fundamental. Quantos se propõem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas garotas que se deslumbram com o aceno de determinada mídia (garotas quase sempre se deslumbram com a mídia), ganham certa notoriedade, mas não têm estilo, não acrescentam em nada nem mesmo em um cover, apenas tentam imitar alguém. É o marasmo da mediocridade travestido de cultura. São menos honestas do que aquelas que não se propõem a inovar, a ser a novidade. E nesse caso a proposta é mais danosa do que escutar a menina, que os colegas juram que canta, afundar “o barquinho”. O que eu tenho a ver com a falta de sinceridade dos amigos? Que vá cantar lendo as letras em um monitor, esperando a nota da máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudar para cantar?! Ah isso não! No Brasil se acredita que coisas como cantar, tocar e escrever são dons, que não necessitam de qualquer aprendizado, porque os agraciados já nasceram com uma Billie, um Ellington, ou um Machado, que apenas precisam brotar, se manifestarem. Sabemos muito bem no que resultam esses adormecidos passageiros quando despertam. Dessas ilusões, reputações são feitas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-3562021786665788790?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/3562021786665788790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=3562021786665788790&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/3562021786665788790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/3562021786665788790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2008/07/mesma-msica-ou-ela-no-ella.html' title='A mesma música, ou Ela não é Ella.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_uvW78ptZ2tk/SHUL_pEIf_I/AAAAAAAAACo/dYijXbUi0og/s72-c/ellafitzgerald.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-5742802855395395685</id><published>2008-03-18T17:12:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T17:15:12.989-03:00</updated><title type='text'>Minha sociabilidade.</title><content type='html'>Você tem um amigo blogueiro. Todo mundo tem hoje. Problema? Não. Até quando ele resolve achar que por ser seu amigo, colega, ou conhecido, tem o direito de insistir, a cada vez que entra em contato com você, em lhe inquirir sobre se você já leu ou não seu último post. A maioria dessas pessoas são jovens. O blog é uma ferramenta adorada pela maioria dos jovens. Como o orkut, que já se tornou parte do cotidiano para eles; um cotidiano tão interessante quanto um debate sobre rodas e descargas de carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diário é algo desinteressante quando não sai da esfera da confissão das miudezas ordinárias do dia dia. O contrário disso no jornalismo chamava-se crônica. A crônica não era mera descrição da banalidade do cotidiano, pelo contrário. Rubem Braga fazia da estúpida realidade algo representável. Imagine se todo cientista tivesse que relatar tudo que acontece no campo. Ele recria, reelabora sua informação para torná-la relevante. Malinowski não é seu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já imagino alguém empunhando um livro de Maffesoli dizendo aos berros: “você não entende a sociabilidade contemporânea!” Na verdade até estudo o tema. Mas estudá-lo não quer dizer que o venero. Ainda acredito minimamente na execrada neutralidade científica – coisa rara nesses tempos de intelectuais sociais (sic) - e não tenho um altar em casa com meus professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vários tipos de blogueiros. Lembro de uma conversa com um jovem na qual ele disse ter um blog onde postava seus versos e pediu para eu ler e comentar depois. Em geral não faço isso. Já tenho, como direi, discordantes (inimigo, pode parecer que sou intolerante, como se crítica tivesse que ser tolerante) suficientes. Repeti para ele uma frase de Benedito Nunes, aparentemente banal, mas propícia para a ocasião: “um poeta nasce de outros poetas”. Disse um rol deles. Ele retrucou interrompendo-me: “gosto de Pablo Neruda”. Respondi: “leia o ‘ABC to reading’ de Pound, talvez desista”. Coitadinho não? Não. Como afirma Mário Faustino, poesia não é confissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer? Destruir os blogs? Nada disso. Acredito em princípios democráticos e não saio por aí socando as pessoas por discordar do que escrevem. Educar as pessoas para o que é bom? Também não sou tão iluminista assim e uma certa pedagogia, que joga bolinha nas pessoas para elas falarem, me assusta. Nessa contemporaneidade complexa talvez o mais indicado seja escrever sobre, criticar a preponderância do gosto mediano, não com intuito educativo ou instrumentalizador, e sim como uma nova possibilidade de ler o mundo. Sem impor nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém quiser continuar a cometer seus poemas que continue. O que eu tenho a ver com isso? Só não me tomem como um futuro leitor. Meu altruísmo não chega a tanto. Prefiro dar uma moeda a um bêbado, pelo menos ele degenera a si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns conhecidos me cobram que escreva mais neste espaço. Poderia dar várias justificativas, mas a verdade é que não creio que as pessoas tenham algo tão interessante para dizer a cada dia. Procuro entender “a sociabilidade contemporânea”, mas não grito para alguém ler isto aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-5742802855395395685?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/5742802855395395685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=5742802855395395685&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5742802855395395685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/5742802855395395685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2008/03/minha-sociabilidade.html' title='Minha sociabilidade.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-2540428072706799725</id><published>2007-12-17T18:22:00.000-03:00</published><updated>2007-12-17T18:56:41.669-03:00</updated><title type='text'>Imagem e representação em Bar azul, de Luiz Braga.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/R2bqt2FWepI/AAAAAAAAACc/syCmc8VzlKs/s1600-h/luiz_braga_f_005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145057697650342546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/R2bqt2FWepI/AAAAAAAAACc/syCmc8VzlKs/s320/luiz_braga_f_005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há uma fotografia de Luiz Braga chamada&lt;em&gt; Bar azul&lt;/em&gt;. Em um pequeno bar uma mulher olha pela janela enquanto uma criança, tentando equilibrar-se sobre uma mesa, tenta tocá-la. Ao lado, passam automóveis que, pela velocidade, vemos apenas as silhuetas. O bar é feito de madeira, com alguns indícios de alvenaria e pintado em azul com detalhes em vermelho, tendo ainda a pintura de uma paisagem na parte superior de uma das paredes. Podem-se ver cadeiras e uma mesa de madeira pintadas de azul e vermelho e uma cadeira de ferro branca. A paisagem parece ser de uma periferia de Belém do Pará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda e qualquer imagem pode suscitar várias interpretações. Essa não é diferente. Quando vi pela primeira vez pensei que a imagem poderia servir como uma metáfora da região amazônica. Uma metáfora-síntese se quisermos. A mulher na janela simbolizaria, junto com o ambiente, o habitante amazônio que contempla a realidade com um misto de desinteresse (essa seria a palavra correta?) e impotência diante da velocidade do progresso que passa. Progresso que contrasta com seu &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; que parece apenas lhe dizer respeito de modo circunstancial. Ao mesmo tempo inevitável e inalcançável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando desse modo estamos próximos do que Benjamin discute na &lt;em&gt;Pequena história da fotografia&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; sobre as possibilidades da fotografia nos revelar, ou suscitar, outras maneiras de observarmos a realidade. Mais especificamente estamos próximos de sua argumentação sobre o que ele denominou de “inconsciente ótico” e da busca, por parte do espectador, da “centelha do acaso”, que nem a técnica e perícia do fotógrafo podem eliminar. O espectador estaria sempre em busca “do aqui e agora, com a qual a realidade chamuscou a imagem, de procurar o lugar imperceptível em que o futuro se aninha hoje em minutos únicos, há muito extintos, e com tanta eloqüência que podemos descobri-lo, olhando para trás” &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. É exatamente esse exortar da fotografia que se liga ao modo de vermos &lt;em&gt;Bar azul&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos ali uma certa metáfora de uma realidade. Não a realidade direta ou documental, e sim a realidade sugerida pelo nosso olhar e pelo olhar da imagem. Olhar da imagem porque a fotografia de Luiz Braga não tem um rosto nítido, não se trata de um retrato, está muito mais próxima de uma caracterização social, do que de um registro documental ou personalístico. Daí talvez podermos falar que a imagem proporciona uma certa reificação. Dito de outro modo: é só por meio da construção imagética, a do fotógrafo e a nossa (espectador), de nossa forma de organizar a mensagem, os signos, da mímesis da imagem, é que podemos voltar à própria realidade. Um antigo conceito filosófico ladeia essa idéia: verossimilhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de um lado a fotografia está ligada à habilidade do fotógrafo, de outro ela se separa de sua técnica na medida em que o olhar humano diferencia-se do olhar da câmera. “O inconsciente ótico” está ligado a essa forma de surgir da realidade na imagem, forma muitas vezes não programada ou manifesta, mas que revela uma outra realidade, “latente”. A técnica nesse momento se alia à magia como diria Benjamin. À magia de fazer explodir em um relâmpago, em um flash, uma realidade - ou tempo histórico linear e vazio na terminologia Benjaminiana. Talvez esse ressurgir do real esteja em &lt;em&gt;Bar azul&lt;/em&gt;. A imagem não serve para jornais, nem para álbuns de família. Não é índice imanente de um fato e sim tem a capacidade de suscitar vários, desde condições sociais até antropológicas mais especificamente. Já se disse que a fotografia de Luiz Braga vai além ou não está subjugada a esse propósito social e que igualmente ela recria a realidade esteticamente. Isso não está incorreto, mas é preciso lembrar que a possibilidade da fotografia está ligada a esse desraizar da realidade para nela se integrar de outro modo, através de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem de &lt;em&gt;Bar azul&lt;/em&gt; é do fotógrafo. Deixa de ser na medida em que se comunica com nossa tentativa de encontrar os vestígios do real, na medida em que esses vestígios são tomados como um instantâneo. Talvez se os carros estivessem parados e não parecessem como relâmpagos não teríamos a mesma noção ou eficácia simbólica da imagem, talvez se eles não se contrastassem com a quietude da mulher na janela e com a imagem da infância cambaleante não poderíamos fazer tantas ilações. Eis a representação mágica da realidade que a técnica pode proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Evidentemente - diz Luiz Braga - que meus personagens não vivem no paraíso. Mas estão em paz com o seu ambiente. É minha intenção assumir em relação a meus personagens a mesma naturalidade com que sou tratado por eles” &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Paz e naturalidade poderiam ser os adjetivos mais perceptíveis em &lt;em&gt;Bar azul&lt;/em&gt;. Seriam se o fotógrafo fosse o único depositário conceitual daquilo que faz. Não o é. Aí entra o leitor da imagem, que por ser imagem “aberta” lhe sugere polissemias. Não contente com o que ela mostra gostaria de saber o que aquela mulher estava pensando naquele momento, como foi seu dia? Será que espera algo, ou será que apenas olha, gasta o tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benjamin louva o surrealismo e mais especificamente a fotografia de Atget porque “nessas obras, a fotografia surrealista prepara uma saudável alienação do homem com relação ao seu mundo ambiente. Ela liberta para o olhar politicamente educado o espaço em que toda a intimidade cede lugar à iluminação dos pormenores&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;”. A alienação de Luiz Braga se assemelha a esse procedimento. As imagens de Atget renunciam aos lugares características da cidade, lugares tão visitados pelo olhar do turista; olhar que em muitos momentos paira sobre a Amazônia, o olhar de quem apenas passa. A fotografia de Braga tenta escapar desse olhar quando resignifica a paisagem da região. O bar azul não é o Teatro da Paz e mesmo ao lado do teatro podemos ter vários bares azuis. Essa é a reorganização estética que por vezes surpreende mesmo os nativos, que em geral já possuem o a atrofia no olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí um certo caminho a ser percorrido entre olhar a imagem como &lt;em&gt;conhecimento&lt;/em&gt; referencial, imediato, típico do jornalismo, dos cartões postais e do retrato e olhar a imagem do Bar que parece conduzir ao &lt;em&gt;reconhecimento&lt;/em&gt; da paisagem&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;. A banalidade da cena se desfaz quando a câmera entra. O real se formaliza com a presença da luz que lança seu artifício para resignificá-lo. Os vestígios do real fazem parte dessas indagações, da possibilidade de reorganizar algo, que sabemos impossível, que pode surgir de uma imagem, de um relâmpago como um flash, do tempo agora (&lt;em&gt;Jetzeit&lt;/em&gt;). Ou no instante da foto no qual a criança se move para tentar se equilibrar, o que provoca um efeito na imagem. Efeito artificial que sempre apagamos das fotos porque “chamuscam”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt; a imagem com o real. É exatamente isso que não pode ser apagado de &lt;em&gt;Bar azul&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; In: BENJAMIN, Walter. &lt;em&gt;Magia e técnica, arte e política&lt;/em&gt;: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas. 7 ed. São Paulo: Brasilense, 1994, p. 91-107.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;em&gt;Idem&lt;/em&gt;, p. 94.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; BRAGA, Luiz. &lt;em&gt;Uma Amazônia intimista&lt;/em&gt;. Disponível em: http://www.luizbraga.fot.br &lt;http:&gt;&lt;http:&gt;. Acesso em: 10 dez. 2007.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; BENJAMIN, 1994, p. 102.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Cf. A nota 4 do texto: Retrato, imagem, fisiognomia: Walter Benjamin e a fotografia. In: CHAVES, Ernani. &lt;em&gt;No limiar do moderno&lt;/em&gt;: estudos sobre Friedrich Nietzsche e Walter Benjamin. Belém: Paka-Tatu, 2003.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; BENJAMIN, 1994, p. 94.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bibliografia consultada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LISSOVSKY, Maurício. Sob o signo do “clic”: fotografia e história em Walter Benjamin. In: BIANCO, Bela Feldman; LEITE, Mirian L. Moreira (Orgs). &lt;em&gt;Desafios da imagem&lt;/em&gt;: fotografia, iconografia e vídeo nas ciências sociais. Campinas-SP: papirus, 1998.&lt;br /&gt;SONTAG, Susan. &lt;em&gt;Sobre fotografia&lt;/em&gt;. São Paulo: companhia das letras, 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-2540428072706799725?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/2540428072706799725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=2540428072706799725&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2540428072706799725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/2540428072706799725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2007/12/imagem-e-representao-em-bar-azul-de_17.html' title='Imagem e representação em Bar azul, de Luiz Braga.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/R2bqt2FWepI/AAAAAAAAACc/syCmc8VzlKs/s72-c/luiz_braga_f_005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-7496873009988194627</id><published>2007-09-03T10:29:00.000-03:00</published><updated>2007-09-03T13:13:16.628-03:00</updated><title type='text'>Processos de hibridação na Amazônia: resistência, representação e assimilação.*</title><content type='html'>A contemporaneidade obrigou, por várias vias, a se repensar as noções de espaço e tempo e com isso os conceitos que definem as acepções de local e global. Chegamos a um momento em que muitos acreditam que essas distinções não mais existem, estaríamos no&lt;em&gt; glocal&lt;/em&gt;. Essas distinções também dizem respeito aos fenômenos culturais. Alguns se alteraram de tal forma que perderam a tão valorizada identidade e reclamaram por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dos anos de 1970 novas formas de estudar a cultura surgem, influenciados pela nova configuração política (com o avanço do processo de descolonização), informacional (com as novas tecnologias da comunicação) e pela crítica aos postulados iluministas (principalmente às idéias de uma razão que distingue o homem em capacidade e essência, um homem distinto e igual). Essas novas formas que ganham variadas denominações (estudos pós-modernos, pós-contemporâneos, pós-estruturalistas), fomentaram igualmente o surgimento de novos conceitos que podem ser tomados no interior daquelas discussões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses novos conceitos é a proposta metodológica de estudar os movimentos culturais a partir do que alguns teóricos, especialmente Néstor Garcia Canclini, denominaram de culturas híbridas ou processos de hibridação. Esse movimento de mudança conceitual e metodológica tão em voga hoje, deve ser pensado na apreensão dos processos culturais que se encontram já híbridos e daqueles que se negam ou se negaram a isso. Se hibridação são “os processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, algumas das chamadas práticas discretas se enquadraram no movimento e outras a renegaram. Isso pode ser visto especialmente nos campos das representações de determinados processos socioculturais na Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, representações porque o conceito de identidade como algo fixo que pode ser definido como a essência de um povo, como a língua, raça e economia, para a metodologia das culturas híbridas e para uma certa antropologia não mais existe. Ela deve então ser entendida como representações que em determinados momentos tornaram-se hegemônicas através de determinado grupo social que &lt;em&gt;mutatis mutandis&lt;/em&gt; se baseiam em outras representações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso de alguns escritores e cientistas do século XIX que ao representar a Amazônia tinham como mentalidade teórica o positivismo e o evolucionismo. Para esses, a mistura racial que originou o homem amazônico nada mais refletiria que uma impureza da natureza, uma falha na evolução que interferia no progresso da região. Escritores regionais como Inglês de Souza flertavam com tais paradigmas. Um de seus adeptos, o jornalista e crítico literário José Veríssimo, chegaria a sugerir como solução para curar os males da sociedade mestiça amazônica, que se deveria “esmagá-las sob a pressão enorme de uma grande imigração, de uma raça vigorosa que nessa luta pela existência de que fala Darwin, as aniquile assimilando-as, parece-nos a única cousa capaz de ser útil a esta província” e finalizaria alertando “E ai dela se assim não for”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente é um dos exemplos mais conhecidos de resistência frente a um processo de hibridação denominado pela antropologia clássica de mestiçagem. Entender esse processo não é apenas indicá-lo, e sim observar quais os discursos que o fundamentam, qual a sociedade no qual está assentado e quais as articulações com outros discursos, como o literário e histórico, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo de resistência não é na Amazônia exclusivo do século XIX. Nas últimas três décadas do século XX, a região passaria por um processo de mudança que atingiria diversos âmbitos de sua realidade, do interior às cidades até o indivíduo. A integração da região ao resto do país e a implantação dos chamados grandes projetos, determinaram um novo &lt;em&gt;ethos&lt;/em&gt; para a realidade amazônica e algumas representações culturais refletiriam isso. No campo da pesquisa, a implantação de cursos e a proliferação de trabalhos destinados a estudá-la, no campo artístico algumas simbologias dessa mudança. O que as caracteriza é o questionamento frente às novas configurações que se impõem diante de uma hibridização e que tem como principal a modernização de um lócus anteriormente preenchido pelo tradicional e por uma aura de autenticidade/identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois exemplos no campo das artes são expressivos: a trilogia de Benedito Monteiro, &lt;em&gt;Verde vagomundo, O minossauro &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;A terceira margem&lt;/em&gt;, na qual a personagem principal, Miguel dos Santos Prazeres, verdadeiro coronel Kurtz de Apocalipse Now, é subvertido em sua existência por uma realidade que lhe é estranha; a invasão do Estado promotor da modernização nacional. Outro exemplo, talvez mais contundente, é a Trilogia amazônica, do poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro. Estão ali, pela primeira vez em um projeto de escrita, as representações desse conflito sociocultural que se instalaria entre um mundo amazônico formado pela tradição, o caboclo e o mito e o novo mundo com sua razão multinacional-modernizante. Os seguintes versos de &lt;em&gt;Deslendário &lt;/em&gt;(1985) exemplificam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Cada rosto aqui é imposto à lenda.&lt;br /&gt;(O haver de ser. O não seria. O que não foi.)&lt;br /&gt;Agora, o rosto oposto à santidade,&lt;br /&gt;é o rosto do Jarí contra o de Antônio,&lt;br /&gt;da Liquifarm contra do do Xikrin,&lt;br /&gt;da Grande-empresa contra o Lavrador.&lt;br /&gt;Então é rosto alguém&lt;/em&gt;”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa literatura representaria, conscientemente ou não, a perda de uma noção de existência até então tida como a essência do macrocosmo amazônico. Evidentemente a ameaça de desestruturação desse mundo e do que ele representava fez com que essas simbologias desse movimento, de certa forma, resistissem a um processo de hibridação por considerarem-no negativo para o que se acreditava como sendo as raízes fixas do mundo regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RtwRXkG9naI/AAAAAAAAACI/JP14VGG7l2E/s1600-h/bumbodromo3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105975174058843554" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RtwRXkG9naI/AAAAAAAAACI/JP14VGG7l2E/s400/bumbodromo3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Encontramos também outras formas de relação da cultura amazônica com elementos externos. Não são tão raras as configurações socioculturais que são reconvertidas, “as configurações que buscam reconverter um patrimônio em novas (uma fábrica, uma capacitação profissional, um conjunto de saberes e técnicas) para reinseri-los em novas condições de mercado”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;. Um dos exemplos mais perceptíveis surge no folclore regional, com a reconversão do Boi de Parintins. Antes baseado em manifestação com características predominantemente populares e inserida em uma cultura local, o boi de Parintins foi reconvertido em espetáculo carnavalizado, que ocorre agora em um bumbódromo (sic) construído com capacidade para 20 mil pessoas, patrocinado por multinacionais e transmitido em rede nacional de televisão. Seria um exemplo típico de hibridação de um artefato cultural convertido em um outro processo sociocultural, através de sua entrada na modernidade, no moderno capital e na mercantilização cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situações semelhantes podem ser observadas no Pará, como os carnavais do interior e da capital que se transformaram nas famigeradas (alguns reclamarão desse adjetivo) micaretas, que para seus produtores – intermediários culturais na acepção de Bourdieu – representam lucros certos e determinados estilos musicais como o brega, que sofre fortes influências da música eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo de reconversão que caracteriza a hibridação pode também ser verificado recentemente em determinados espaços arquitetônicos que Belém vem tomando. Um dos locais mais visíveis desse processo talvez seja o espaço Estação das Docas. Um lugar decadente destinado ao comércio, sendo reconvertido, por várias influências, em lugar de lazer – o que os estudos pós-modernos denominam &lt;em&gt;gentrification&lt;/em&gt;. Essa reconversão, que não se enquadra explicitamente em um processo cultural simples que se transforma em outro, se configura em um processo de hibridação por ser reinserido “em novas condições de mercado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de vangloriarmos as resistências ao multiculturalismo ou satanizarmos essas reconversões e hibridações culturais, é necessário que, ao invés de indicá-las simplesmente, se avance para a análise do processo que as propiciou. É desse modo que o método das culturas híbridas pode ser melhor empregado; percebendo-se que cada situação exige um estudo particular e uma análise interdisciplinar para compreendê-la. É como poderemos evitar uma análise ingênua e entusiasta da hibridização e, ao mesmo tempo, superarmos a idéia de que a realidade pode ser pensada através de idéias fixas e imutáveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;* Texto baseado em uma comunicação realizada na VIII Feira Pan-Amazônica do Livro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; CANCLINI , Néstor Garcia. &lt;em&gt;Culturas híbridas&lt;/em&gt; : estratégias para entrar e sair da modernidade. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2003, p. 19.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; MAUÉS, Maria Angélica Motta. A questão étnica: índios, brancos, negros e caboclos. In: PARÁ. Secretaria de Estado de Educação. &lt;em&gt;Estudos e problemas amazônicos&lt;/em&gt;: história social e econômica e temas especiais. Belém: IDESP, 1989, p. 195-204.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; LOUREIRO , João de Jesus Paes. &lt;em&gt;Cantares amazônicos&lt;/em&gt;. São Paulo: Roswitha, 1985, p. 91.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=34959075#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; CANCLINI, 2003, p. 21.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-7496873009988194627?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/7496873009988194627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=7496873009988194627&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/7496873009988194627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/7496873009988194627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2007/09/processos-de-hibridao-na-amaznia_03.html' title='Processos de hibridação na Amazônia: resistência, representação e assimilação.*'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RtwRXkG9naI/AAAAAAAAACI/JP14VGG7l2E/s72-c/bumbodromo3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-6296883511591096009</id><published>2007-03-14T03:21:00.001-03:00</published><updated>2011-03-01T00:56:24.415-03:00</updated><title type='text'>Para dissonar o regionalismo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RfjJk-bT7SI/AAAAAAAAABE/nlxaN06WkMU/s1600-h/haroldomaranhao+2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 253px; FLOAT: right; HEIGHT: 196px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042001419911294242" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RfjJk-bT7SI/AAAAAAAAABE/nlxaN06WkMU/s320/haroldomaranhao+2.jpg" width="254" height="209" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Haroldo Maranhão faz parte de um seleto grupo de intelectuais que tiveram e têm com a Amazônia uma relação que não se vincula ao lugar comum da literatura regional. Juntamente com José Veríssimo, Benedito Nunes, Mário Faustino, Eidorfe Moreira, Dalcídio Jurandir, Rui Barata, Max Martins, Benedito Monteiro, Lúcio Flávio Pinto e outros, conseguiu se diferenciar do coro uníssono que imagina valorizar e promover a região retratando seus aspectos sob um único ângulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente desses coristas, Veríssimo e os demais têm em comum a universalidade na forma e no trato dos seus temas. Coisa não muito apreciada por essas plagas, em que ser regionalista parece ser o passaporte para a qualidade. O regional existe neles como substrato temático. Utilizam-no de acordo com a linguagem adotada, ultrapassando os antolhos de uma literatura (literatura em geral, não apenas a ficcional) que se repete por adotar as mesmas fórmulas. Conseguem se referir à região sem reduzi-la, englobando-a em conjunto com outros temas, identificando os problemas, as mudanças, variando e multiplicando as possibilidades de leitura. Não existe ligação inextricável entre lugar e excelência literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da vinda a Belém, para a cerimônia de aquisição de sua biblioteca particular pelo Estado, Haroldo Maranhão se reuniu com alguns de seus amigos na casa do crítico e ensaísta Benedito Nunes. Presentes, além deles, o poeta Max Martins, o jornalista Lúcio Flavio Pinto e o escritor Benedito Monteiro. Conversaram sobre a promessa feita há anos de cada um escrever sobre um determinado assunto e depois se reunirem e discutirem o que cada um conseguiu fazer. Uma equipe da TV Cultura do Pará registrou a reunião e entrevistou os convidados para um documentário sobre o autor de &lt;em&gt;As Peles frias&lt;/em&gt;. Foi parca a repercussão sobre esse encontro. O que não surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secretários, administradores, imprensa e leitores têm responsabilidade sobre o desconhecimento dessas personalidades. Há praticamente, exceto em círculos especializados, um completo ineditismo em relação a esses autores. O clã que retrata o caboclo prendado, com a cuia de açaí na mão, enfeitiçado pelo boto, esperando a bonomia diária da natureza para seu sustento, falando em uma sintaxe incorreta, tendo imagens oníricas para compreender o mundo – não importando para seus paladinos o quanto este mundo se modifica, afetando seu protegido – impede alguns tipos de linguagem (ficcional, científica menos, imagética) que desvirtue suas auráticas musas da criatividade. A crítica inexiste nos periódicos, abolida pela idéia de que o jornalismo deve ter “uma linguagem fácil” (sic), como se literatura fosse algo impenetrável e a crítica a obnubilasse ainda mais com suas difíceis e complicadas interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interpretações surgiram no Suplemento Literário, &lt;em&gt;Arte e Literatura&lt;/em&gt;, coordenado por Haroldo Maranhão e publicado na &lt;em&gt;Folha do Norte&lt;/em&gt;, na primeira metade do século passado, se tornando um dos mais respeitados cadernos literários na época. Por lá passaram: Mário Faustino, José Veríssimo, Max Martins, Benedito Nunes, Humberto de Campos entre outros. Lucio Flávio Pinto conta uma história de que quando Rômulo Maiorana comprou a &lt;em&gt;Folha do Norte&lt;/em&gt;, foi perguntado por um dos funcionários sobre o que fazer com aqueles “jornais velhos”. Rômulo Maiorana ordenou que jogasse no lixo. Lúcio Flávio ainda teve tempo de salvar alguns exemplares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haroldo Maranhão pretendia escrever uma biografia de Felipe Patroni. Quem foi este personagem a quem o escritor dedica interesse? Se líderes de opinião mergulharam em &lt;em&gt;Cabelos no Coração&lt;/em&gt;, livro de Haroldo, sabem de quem se trata. Caso contrário, não poderiam reclamar, assim que o livro fosse lançado, de que não tiveram conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a história de uma família que participou, como poucas, dos mais importantes acontecimentos ocorridos durante os primeiros governos paraenses do século anterior, suponho que os historiadores conheçam &lt;em&gt;Querido Ivan&lt;/em&gt;. Livro em que, tendo em vista a anunciada morte do irmão, Haroldo Maranhão faz uma recordação dos fatos que marcaram a história da infância de ambos, reclusos, pela perseguição política da época, na &lt;em&gt;Folha do Norte&lt;/em&gt; (no antigo prédio do jornal O Liberal, na Gaspar Viana), entre bobinas, gráficos, empregados e a imagem da vida, vista de um ângulo, no mínimo, diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refere-se a um dos principais momentos da história do Pará, envolve a conjuntura social das primeiras décadas do século XX. Se os bacharéis de história não a conhecem, têm suas justificativas. Devem julgar a narrativa íntima demais, impossível de ser enquadrada em algum paradigma canônico, sem uma correlação imediata com a grandiosa, tão exaltada e desconhecida Revolução Cabana ou com a arquitetura da &lt;em&gt;Belle Époque&lt;/em&gt;. Esses, momentos que permanecem insepultos, menos pela pesquisa detida e aprofundada, do que pela propaganda que deles se utiliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O regionalismo que interessa é aquele que aborda o lado pitoresco do lugar; a fala, os costumes, as lendas, os mitos históricos, referidos eternamente sob a mesma interpretação gloriosa e, quando menciona mudanças, prima pela eterna lamentação “do nosso paraíso perdido”, vilipendiado. É o que vemos na imprensa e o que se lê &lt;em&gt;ad nauseam&lt;/em&gt; nas dissertações e teses acadêmicas. Existem exceções, é claro. Confirmam a regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de escrever um poema em que o principal cartão postal de Belém, e orgulho dos regionalistas, serve de cenário para simbolizar a desestruturação do sujeito, pela exploração e miséria ali instaurada, como em &lt;em&gt;Ver-o-Peso&lt;/em&gt; de Max Martins. É interdita uma produção, em que uma das personagens principais dos regionalistas, o caboclo, por condições que se tornam dominantes e cuja compreensão lhe foge, se torna estrangeiro em seu habitah, como em &lt;em&gt;Verde Vagomundo&lt;/em&gt; de Benedito Monteiro. Impossível para os regionalistas, ao menos a discussão, de uma análise que sugere a necessidade da cooperação internacional para que a Amazônia consiga usufruir das riquezas que a ciência pode proporcionar ao se aprofundarem as pesquisas, como a de Lúcio Flávio Pinto. Neste lugar que Euclides da Cunha considerou, em &lt;em&gt;À Margem da História&lt;/em&gt;, ser o Homem um intruso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para regionalistas, O Ver-o-Peso é uma catedral e o caboclo um santo; a história a virgem responsável por cuidar do passado redentor e qualquer manifestação que acene para além das fronteiras de “nossa Hiléia”, uma heresia. Caso se sintam ameaçados, empunharão ervas e líquidos e evocarão a mãe do mato, protetora da floresta, para que o agouro seja debelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como patrono da V Feira Pan-Amazônica do Livro ocorrida em 2001, Haroldo Maranhão deveria voltar a Belém. Não pôde por motivos de saúde. Sua biblioteca, com um acervo de aproximadamente cinco mil volumes, cultivada durante longos 40 anos de auto-exílio no Rio de Janeiro, foi doada para o Estado pela Companhia Vale do Rio Doce. Nela estão raridades, como a edição de &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;, datada do século XVI, a correspondência do autor com os modernistas e com o amigo Benedito Nunes e as primeiras edições, edições autografadas e especiais de livros de Carlos Drummond de Andrade. Os volumes fazem parte da Sala Especial Haroldo Maranhão na Biblioteca Arthur Viana. Deveria tornar-se fonte de consulta obrigatória para os que pretendem excursionar pelo conhecimento da Amazônia e das artes no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O confinamento das letras amazônicas poderá ser amainado. Sugiro aos regionalistas, escritores, acadêmicos, jornalistas, etc., a marcarem visitas coletivas à sala Haroldo Maranhão, cada um com seu caderno de anotações. Não seriam permitidos adereços indígenas, batuques, ou qualquer tipo de performance desvinculada de seu contexto. Poderiam desnortear e tirar a atenção dos outros freqüentadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leriam, pelo menos, dez livros por mês. Em seguida, entregariam resenhas críticas de cada exemplar lido e fariam comparações com a literatura que propagam. Quem sabe um dia poderiam integrar o seleto grupo do qual Haroldo, Faustino e outros fizeram parte. Para dissonar um pouco.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-6296883511591096009?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/6296883511591096009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=6296883511591096009&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/6296883511591096009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/6296883511591096009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2007/03/para-dissonar-o-regionalismo.html' title='Para dissonar o regionalismo.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/RfjJk-bT7SI/AAAAAAAAABE/nlxaN06WkMU/s72-c/haroldomaranhao+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-117091243537641994</id><published>2007-02-08T02:24:00.000-03:00</published><updated>2007-02-08T02:27:15.380-03:00</updated><title type='text'>Paulo Francis e o estado da arte. Tomo I.</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5607/3880/1600/984613/7108458_Francis.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5607/3880/320/752643/7108458_Francis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Quem lê pensa e quem não pensa será sempre um escravo”. Entre as centenas de frases de Paulo Francis essa é uma das que mais gosto. É generalista, contundente e ataca a subserviência daqueles que se dobram ao primeiro aceno da mediocridade. Essa que para muitos significa sobreviver a qualquer mudança intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos ele morria. Morria para se tornar, ao contrário do que imaginavam seus antípodas, inesquecível para os que o leram quando ainda escrevia e uma estranha esperança para os que agora o conhecem. Ainda há gente que dobra o nariz quando ouve seu nome. Não importa. São os ouvidos moucos, que desprezam o pensamento livre, que preferem agarrar-se a uma ideologia sem jamais ser capaz de pensar em refutá-la. Poderiam perder cargos, objetos de estudo, amigos; o porto em que se sustenta seu leitmotiv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é ético esconder influências, porque sempre os que o fazem mentem, plagiam. Paulo Francis foi uma das minhas maiores influências. Um relâmpago que solapou as bases daquilo que eu imaginava ser certo e irrefutável. E não existe nada pior para o intelectual do que acreditar no que diz sem um átimo de dúvida; porque tende a pensar que é um oráculo e não passa de um bocó com um kit de algum encontro anual desses que dão pastinhas, caneta e um bloco de anotações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não li seus romances ainda. Li vários de seus outros livros e acompanhei seus textos nos jornais e seus comentários na tv. O melhor livro é “Trinta anos essa noite: o que vi e vivi”. Uma rememoração do golpe de 1964 sem o viés historicista do “a culpa foi da burguesia e dos americanos”. Francis diz, por exemplo, com base em conversas com personagens chaves da época, que se Goulart quisesse teria aniquilado o golpe com apenas um telefonema. A contextualização histórica é outra, é feita de comentários em um vai e vem de temas que impressiona pela multiplicidade e ao mesmo tempo pelo modo como são concatenados. Tem o Brasil, o mundo e a visão do autor; como deveria ser uma contextualização de tema tão amplo. Fosse uma tese acadêmica teria os conceitos de revolução nas várias “correntes teóricas” (sic), destacados e entre aspas; o fato? (objeto) ah! Esse viria depois “do estado da arte” (sic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém quiser conhecer suas opiniões sobre os mais variados temas o ideal é “Waal: o dicionário da corte de Paulo Francis”. Uma reunião de seus textos, em verbetes, sobre temas que vão de Woody Allen a Virginia Woolf. Sobre Astrologia diz: “É preciso ter mingau na cabeça para acreditar em astrologia. Edwin Hubble, que deu nome ao telescópio, contou 10 bilhões de sistemas iguais ao nosso. O nosso é padrão? É estarrecedor”. Sobre comunismo: “a melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem”. Quantos ainda acreditam nesses dois temas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro autobiográfico chama-se “O afeto que se encerra”. Nesse, Francis fala sobre temas que se tornariam importantes em sua vida como a perda da mãe - segundo Millôr Fernandes, perda edipiana -; de sua juventude regada a álcool e outras substâncias; de suas leituras e convicções. O jornalista Lúcio Flávio Pinto julga ser seu melhor livro. Não é. O Francis maduro em estilo e pensamento viria com o “Trinta anos...”. Há outros interessantes, como “O Brasil no mundo”, uma tentativa de compreender o Brasil a partir de conceitos pouco usuais, como contra-reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecido pelas aparições na tv, pela inflexão da voz, criando uma espécie de caricatura de si mesmo, ele se tornaria um dos jornalistas mais famosos do país. Não por que era diferente apenas, e sim pela coragem e abordagem dos temas, fugindo dos manuais de boas maneiras e mesmice do jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma editora a republicar suas obras. Há a promessa de ser lançado um romance inédito e uma coletânea de artigos. Quem quiser pode ler o que já existe e o que vem por aí. Os que torcem o nariz? Ah! Esses vêm depois do Estado da Arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-117091243537641994?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/117091243537641994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=117091243537641994&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/117091243537641994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/117091243537641994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2007/02/paulo-francis-e-o-estado-da-arte-tomo_07.html' title='Paulo Francis e o estado da arte. Tomo I.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-116803132667396969</id><published>2007-01-05T18:06:00.000-03:00</published><updated>2007-01-05T18:08:46.686-03:00</updated><title type='text'>Como ser cooptado pelo poder e justificar isso*.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;“&lt;em&gt;Todos os homens são intelectuais, poder-se-ia dizer então; mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais&lt;/em&gt;”. Gramsci.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esteja sempre nas rodas de intelectuais.  De preferência daqueles que acreditam no que falam. Não importa se falam com propriedade. Importa pretender mudar algo. Mudança sempre funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fale, fale bastante; com ênfase, sem perder a pose; seja humilde (ajuda na pose). Cite Neruda, Chico Buarque; não esqueça de Sartre e Bordieu (esse serve para tudo, inclusive para isso). Um deles terá impacto, conferindo credibilidade à sua fala. São, ou foram ativistas, questionaram o “sistema”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solte sua fúria (sem sentido e conteúdo, não importa) sobre administração atual e diga que tudo será melhor, como se você fosse o próprio criador e o messias trazendo as boas novas. Critique as “elites”, pega bem. Diga que tudo o que está aí é obra ou dos americanos ou da “minoria abastada” (se você ganha quatro mil por mês, esqueça. Você não é um “deles”) que sempre tentaram barrar um projeto de mudança. Ah! Você quer uma vaga na administração atual. Então engula suas convicções, elas não farão falta. Lembre-se: fora do poder você as tem, dentro elas podem esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é um intelectual a serviço da mudança. Se alguém perguntar por que você quer integrar o poder diga que “o modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na eloqüência, motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões, mas num imiscuir-se ativamente na vida prática, como construtor, organizador, ‘persuasor permanente’, já que não apenas o orador puro – e superior, todavia, ao espírito matemático abstrato; da técnica-trabalho, eleva-se à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual se permanece ‘especialista’ e não se chega a ‘dirigente’ (especialista mais político) (sic)” Gramsci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o indivíduo não entender, diga que cansou de ficar apenas estudando candomblé, hibridações culturais, &lt;em&gt;Belle Époque&lt;/em&gt; e que agora será um intelectual orgânico. Ele não vai entender do mesmo jeito. Não importa. Impressiona, persuade, conquista, arrebanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem um amigo no poder? O caminho fica mais curto. Mesmo assim é preciso se mostrar, de qualquer forma. E-mail de fim de ano e/ou (use bastante e/ou) envios de suas idéias geniais - o que você pensa é sempre genial - podem funcionar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso não funcione, não se preocupe. Quem perde é o poder. Acredite nisso. Você é um intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Com a colaboração de Igor Pacheco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-116803132667396969?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/116803132667396969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=116803132667396969&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116803132667396969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116803132667396969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2007/01/como-ser-cooptado-pelo-poder-e.html' title='Como ser cooptado pelo poder e justificar isso*.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-116735622859904971</id><published>2006-12-28T22:34:00.001-03:00</published><updated>2006-12-28T22:37:08.613-03:00</updated><title type='text'>A crítica de Mário Faustino.</title><content type='html'>Prefácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fez esta manhã, quem penetrou&lt;br /&gt;À noite os labirintos do tesouro,&lt;br /&gt;Quem fez esta manhã predestinou&lt;br /&gt;Seus temas a paráfrases do touro,&lt;br /&gt;As traduções do cisne: fê-la para&lt;br /&gt;Abandonar-se a mitos essenciais,&lt;br /&gt;Desflorada por ímpetos de rara&lt;br /&gt;Metamorfose alada, onde jamais&lt;br /&gt;Se exaure o deus que muda, que transvive.&lt;br /&gt;Quem fez esta manhã fê-la por ser&lt;br /&gt;Um raio a fecundá-la, não por lívida&lt;br /&gt;Ausência sem pecado e fê-la ter&lt;br /&gt;Em si princípio e fim: ter entre a aurora&lt;br /&gt;E meio-dia um homem e sua hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascia, a partir desse poema, um dos livros mais importantes da literatura brasileira: &lt;em&gt;O homem e sua hora&lt;/em&gt;, de Mário Faustino. O poeta, que morou grande parte de sua vida no Pará, se tornaria uma das principais referências na vida literária do país na década de 1950. Editou, entre 1956 e1958, no Jornal do Brasil uma página dedicada à poesia que tinha como frontispício a frase: “repetir para aprender, criar para renovar”. Morreria em 1962, aos 32 anos, em um desastre de um avião que não atrasou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outubro de 2003 a Universidade da Amazônia (UNAMA), lançaria uma edição especial comemorando os 10 anos da revista &lt;em&gt;Asas da palavra&lt;/em&gt;, tendo o poeta-crítico como tema. Em 2002 começava a ser reeditada sua obra, iniciando com &lt;em&gt;O homem...&lt;/em&gt; e em seguida com &lt;em&gt;De Anchieta aos concretos:&lt;/em&gt; poesia brasileira no jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse, Cecília Meireles e Drummond - esse já um poeta consagrado - não foram poupados; Jorge de Lima e seu A invenção de Orfeu, tido como “o maior, o mais alto, o mais vasto, o mais importante, o mais original dos poetas brasileiros de todos os tempos. Tem também a vantagem de estar morto”. Esse era o estilo Faustiniano. Leiam-no. É a primeira pergunta que faço para as pessoas da “área de letras” (sic). Se dizem não, dou meia volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi um texto na revista analisando sua crítica. Segue o link:&lt;a href="http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/revista/asas%20da%20palavra/pdf/rasaspalavra716a14.pdf"&gt;http://www.nead.unama.br/bibliotecavirtual/revista/asas%20da%20palavra/pdf/rasaspalavra716a14.pdf&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-116735622859904971?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/116735622859904971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=116735622859904971&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116735622859904971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116735622859904971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2006/12/crtica-de-mrio-faustino_116735622859904971.html' title='A crítica de Mário Faustino.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-116733890972814684</id><published>2006-12-28T17:46:00.000-03:00</published><updated>2006-12-28T17:48:29.730-03:00</updated><title type='text'>Cultura, mesmice e repetição ou por que Walcyr Monteiro é mais conhecido que Haroldo Maranhão.</title><content type='html'>Algumas pessoas já me perguntaram por que critico as lendas amazônicas. Não as critico. Seria um apedeutismo de minha parte. Os antropólogos me imolariam, alguns professores das humanidades me lançariam um quebranto. Muitos confundem o que digo sobre as lendas como tentativa de destruição. Sabe-se que isso é impossível. A filosofia, ou parte dela, vem tentando isso há mais de 2.500 anos. A questão não são as lendas em si, e sim como elas são representadas, veiculadas e assimiladas por determinados “atores sociais” (sic).  Isso pode ser estendido a vários aspectos da cultura regional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntam alguns: “mas elas não refletem a identidade amazônica?” Que identidade? De que Amazônia vocês falam? É um erro pensar a identidade como algo estanque, principalmente no mundo contemporâneo. Como uma certa antropologia, encaro a identidade como uma representação, ou seja, como um discurso que se tornou predominante em determinado momento. O fato de ter se tornado predominante é que deve ser estudado. O resto é mesmice e desconhecimento da mídia e determinados atores. Os Meios de comunicação precisam de arquétipos, elegem símbolos reconhecíveis, o que sempre lhes caracterizou; outros atores repetem a mídia e seus mestres de academia. De repente, elegem-se determinados representantes de uma cultura. Esquece-se de outros, não digo mais importante, talvez esteticamente. Existem várias Amazônias, várias formas de representá-la. Perguntem a um estudante do ensino médio ou mesmo universitário se ele já ouvir falar mais de Walcyr Monteiro ou de Haroldo Maranhão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haroldo permanece um desconhecido. Por que Dalcídio virou uma epidemia? Porque os atores sociais atuaram - sem desconsiderar o valor de sua obra é claro. A academia possuiu um papel fundamental nisso, como se viu. Como diz um professor de filosofia amigo meu, agora temos Dalcídio deitado, na janela, fazendo biquinho... Haroldo permanece trancafiado como um fantasma no antigo prédio da Folha do Norte, ou em uma sala &lt;em&gt;no sense&lt;/em&gt; do Centur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inegável a relação da literatura com o social. Antonio Cândido em &lt;em&gt;Literatura e Sociedade&lt;/em&gt; já explicitara, a meu ver como poucos, essa relação. Sim, então por que quase nada se produz – com exceção de um certo trabalho fotográfico - no âmbito artístico, ou se reverbera, sobre um dos períodos mais importantes da história social da Amazônia, o período, a partir da década de 1960, no qual essa região se integra definitivamente ao resto do país e ao “circuito da mercadoria” – na expressão de Lúcio Flávio Pinto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque menos importante? Claro que não. Esse período modificou completamente essa realidade. O amazônida, o paraense, já trocou, ou está em via de trocar, o relógio da maré pelo digital, a palmeira verde pela de metal que, através de frutos imagéticos, dá a sombra da fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho respostas prontas, tenho indícios. E eles só podem ser pensados se entendermos o processo pelo qual o social interage com as produções artísticas (aí vai uma sugestão de trabalho para algum estudante abnegado). Talvez algum livro que trate sobre o tema tenha passado despercebido; a crítica literária é hoje apenas objeto de pesquisadores. Ou o sistema educacional esteja desatento para essas modificações artísticas e sociais, como se diz no jargão acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontaria o trabalho do poeta Paes Loureiro como um dos mais inovadores nesse sentido. Na sua &lt;em&gt;Trilogia Amazônica&lt;/em&gt; ele retrabalha as lendas, não para deixá-las intactas como principais representantes da realidade amazônica, mas para confrontá-las como uma nova realidade de modernização que surge na região. Por que poucos conhecem? Aí entram os atores sociais. O autor além de escritor já atuou em importantes órgãos públicos, o que, se de um lado o favorece, de outro, lhe erige barreiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil escapar disso. É cinismo dizer apenas que trata-se de um processo normal de seleção natural da cultura. Se assim o é, mataram o conceito darwiniano. Nesse caso, os mais fracos estão levando a melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teríamos que ter um sistema educacional com professores como direi... Melhor informados, que pudessem rever (reciclar é coisa de adeptos de Paulo Freire) seus conhecimentos, que fugissem da lengalenga da identidade, do bairrismo e tivessem mais coragem de inovar. Os meios de comunicação são âmbitos pouco suscetíveis à inovação. A internet vem se tornando um campo propício nesse sentido. Existem páginas importantes sobre autores e textos sobre o tema; pode ajudar a repensá-lo, mesmo em escala menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltarei ao(s) tema(s).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-116733890972814684?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/116733890972814684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=116733890972814684&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116733890972814684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116733890972814684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2006/12/cultura-mesmice-e-repetio-ou-por-que_28.html' title='Cultura, mesmice e repetição ou por que Walcyr Monteiro é mais conhecido que Haroldo Maranhão.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34959075.post-116727060703448538</id><published>2006-12-27T22:47:00.000-03:00</published><updated>2006-12-27T22:50:07.056-03:00</updated><title type='text'>Aí está.</title><content type='html'>Relutava em escrever para um meio eletrônico. Coisa de quem acha que o que escrevemos certamente entrará para a história. Bobagem. Como Mário Faustino, acredito que não precisamos sempre pensar no ato de escrever como se os textos fossem se tornar papiros incensados pela eternidade. A eternidade deixo para os donos da verdade. A história está cheia deles. Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este espaço pretende ser um local para expor minhas opiniões sobre assuntos que me interesso: cultura, comunicação, ciência, política (talvez). Sempre que possível realizando uma conversa mais informal (sic); contundente, sem ofensas, sem isenção. Considero-me um intelectual - como pensa Lúcio Flávio Pinto - faço três refeições por dia. Vou além disso, porque essa frase me cheira a humildade rasteira. Ir além significa tentar aproveitar minha principal ferramenta de trabalho para sacolejar um pouco o marasmo e a mediocridade que nos assola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretensão demais? Em parte sim. E daí? Só os parvos não a tem. Pretende-se, não se impõe. São coisas diferentes; ao menos para quem sabe diferir minimamente o astro rei da lua (atenção! Isso não é dialética viu, cobre do seu professor da área de humanidades o conceito, peça para ele não usar Marilena Chauí, conseguirá?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não duvidem que existe uma inflexão mundana em vários  ramos em direção a uma mediocridade cada vez mais aceita, a constatação é do professor Benedito Nunes. A tarefa de quem pensa sobre esses assuntos é fazer com que essa inflexão seja combatida. Como? Pensando sobre ela, escrevendo. Com propriedade, sem afetação. Isso quer dizer que vou falar apenas do que está errado? Claro que não. Nenhum texto que se pretenda crítico funciona assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns devem estar se perguntando: “mas quem é você para dizer o que é certo ou errado?” Como se prova uma tese meu caro? Através de argumentos. Aqui não se pretende provar a todo custo. Deixo isso para os donos da verdade. O presente está cheio deles. Eu também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34959075-116727060703448538?l=relivaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://relivaldo.blogspot.com/feeds/116727060703448538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34959075&amp;postID=116727060703448538&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116727060703448538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34959075/posts/default/116727060703448538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://relivaldo.blogspot.com/2006/12/est.html' title='Aí está.'/><author><name>Relivaldo de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01298546835894188120</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_uvW78ptZ2tk/ShIx8fVMVAI/AAAAAAAAAFc/1BjLhaCFEmA/S220/eu+5.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
